Arquivo de Outubro 5th, 2008

A dissociação da sociedade

Sempre me emociono com a música Imagine do saudoso John Lennon. Tomei a liberdade de colar abaixo a tradução da canção escrita com a provável inspiração divina do eterno beatle:

Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno sob nós
Acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil em ter
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana

Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Linda a letra. Acredito que no íntimo de cada um de nós, mesmo que em alguns casos seja no subconsciente, desejamos que isso aconteça. Que seja possível vivermos em harmonia plena. Mas então por que escolhi esse título pessimista? Infelizmente e, mesmo que eu imagine que um dia um caminhe pelas ruas distribuindo e recebendo sorrisos, cada vez mais eu vejo uma sociedade egoísta e sem o mínimo de solidariedade. Obviamente estou generalizando. Existe muita gente boa por aí que ajuda sem querer nada em troca. Que vive sorrindo e agradecendo todo dia pela oportunidade em estar apreendendo constantemente. Mas, o exemplo que tenho é o egoísmo apresentado no intenso trânsito da cidade, onde são poucos que dão passagem e quando você reclama de uma fechada fazendo soar a buzina, mecanicamente o motorista, seja homem ou mulher, levanta a mão com o dedo anular em riste. Não seria mais óbvio levantar a mão pedindo desculpas? E quando entramos no elevador e falamos bom dia e ninguém responde, mesmo que só estejam lá eu e apenas mais um?

Outro dia, já deitados para dormir, o caçula de seis anos me disse: “pai como foi bom ter conhecido você!”. Por quê?, perguntei. “Ah, se eu não tivesse te conhecido, eu não teria aqueles gibis da Turma da Mônica que você comprou pra mim lá no Rio de Janeiro!”, Na lata, eu devolvi pra ele: filho, o que mais importa nas nossas vidas é o amor, a amizade e o conhecimento, a sabedoria. O resto é passageiro e não resiste ao tempo. Ele pensou um pouco e consentiu: “É verdade pai, eu te amo muito e você é meu amigão!” Dormimos que nem anjos nessa noite.

Vou sair para votar com a esperança que os governantes também caiam em si e começem a trabalhar com verdadeiras ações de uma sociedade, ou seja, proporcionando o desenvolvimento, a educação e o exemplo do qual realmente precisamos ter. Boa semana, com muita saúde e paz!


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