Arquivo de Novembro, 2008

Campos do Jordão x Gramado

Em diversos bate-papos pelo mundo da hotelaria, muitas pessoas têm comparado o município paulista de Campos do Jordão com Gramado, no Rio Grande do Sul. Para aqueles que já estiveram nas duas cidades, a comparação é inevitável: por que Campos do Jordão não decola como Gramado?

Uns afirmam que Gramado é mais bonita, o que de certa forma é verdade, pois o centro comercial desta é maior e mais centralizado, um verdadeiro shopping a céu aberto. Todas as ruas, não apenas o bairro de Capivari em Campos, são muito charmosas. Outros dizem que Campos é privilegiada por estar próxima a capital do estado e de outras cidades do interior e merece estar melhor ranqueada. Quando entramos em Campos do Jordão, o acesso é pelo lado mais feinho, sem graça. Depois, lá na frente, chegando em Capivari o aspecto muda de figura e a lembrança de Gramado vem em nossa mente.

O fator mais importante do município gaúcho é que lá a população, os hoteleiros, empresários e comerciantes, não necessariamente nessa ordem, chegaram a conclusão que o turismo é a melhor fonte de renda para a cidade. Com isso, todos se uniram e começaram a trabalhar em prol do destino e não apenas do umbigo de cada um.

Já em Campos, o objetivo é diferente, mas infelizmente muito comum: cada um por si e nenhum por todos. A prefeitura parece não conseguir convencer os moradores locais e apenas o Festival é que lota a cidade a partir de junho até o começo de agosto. No resto do ano, com exceção do Natal, Réveillon e dos finais de semana, o destino não vê a cara dos turistas.

Como mencionei algumas linhas acima, as pessoas se preocupam apenas com elas mesmos. São poucas as que pensam no macro, preferindo permanecer apenas no micromundo. É preciso sempre levar em conta quem é o maior beneficiado e tentar participar do bolo e não desejar tudo para um só. Se a comunidade de Campos resolver se unir, todos irão ganhar.

Tem uma fórmula que é bem simples: (união + visão) – ganância = desenvolvimento.

Enquanto isso, em São Paulo, a maioria dos vereadores municipais votaram contra a portaria baixada pelo prefeito que possibilta a regulamentação de quase 120 flats, que representa quase a metade da hospedagem paulista. Se a portaria não for confirmada, a cidade vai perder muito, mas muito mesmo. A preferência dos 34 vereadores põe em risco a continuidade de operação dos empreendimentos, gerando desemprego e impossibilitando a cidade em continuar sendo o destino número um da América Latina na realização de grandes eventos como a Fórmula 1. Por que será que esses políticos votaram contra? O que eles ganham com isso e o que eles sabem de turismo? Fui, com votos de muita saúde, consciência e bom senso!

Hotéis multiestrelados?

A classificação estelar dos hotéis foi criada no final dos anos 30 nos Estados Unidos pela consultoria Professional Travel Guide que anunciou recentemente a criação, em meados de 2009, do sistema para identificar e oficializar hotéis de categoria seis estrelas. Isso é muito bom para o mercado hoteleiro mundial. Toda progressão mercadológica alavanca o setor positivamente. Um verdadeiro up. Como a crista da onda, levanta a espuma até o topo. Dá para comparar com a mesma sensação que temos quando ficamos dentro do mar exatamente no momento em que ela inicia o movimento avassalador repleto de energia e espuma.

As universidades na Suíça são consideradas as melhores do planeta e desde o século passado formam profissionais que estão espalhados pelos cinco continentes. Geralmente, as redes internacionais buscam os estudantes que se destacam e que cursam o último ano para contratá-los como trainees e que acabam sendo contratados após o processo.

Os futuros hotéis six star podem ter sido projetados pelos melhores arquitetos, ter também os melhores amenities do planeta, as maiores piscinas e as festas de inauguração que consumam milhões de notas verdinhas (ou azuis). Podem também estar localizados nos destinos mais exclusivos e contar com as maiores suítes, melhor gastronomia, enfim estarem aptos para num outro futuro ser o espelho dos empreendimentos sete estrelas.

O que não irá mudar nunca é o atendimento, o requinte em servir um bebida em um ambiente propício ao luxo, a sutileza de aparecer e limpar seus óculos de sol enquanto você está na piscina. Sorrir, olhar e não dizer nada mas poder passar ao hóspede que a mensagem foi entendida.

O Brasil pode pensar em prover algumas das melhores universidades do planeta. Alguns dizem que falta classe, mas as melhores lojas de luxo estão aqui na capital paulista e em quantidade maior que outras cidades primeiromundistas. O Rio de Janeiro, principalmente no eixo Ipanema-Leblon está ficando cada vez melhor, assim como Salvador que está recebendo investimentos significativos de hotéis de charme. Não temos a frieza prateada dos europeus e nem a arrogância de outros povos. Sabemos sorrir, receber, somos simpáticos por natureza. Tá certo que rola uma malandragem, mas me diga quem e o que é perfeito?

Investir na mão-de-obra é ter certeza de sucesso, remunerar bem, motivar, qualificar e motivar! Avante nobre hoteleiro! Minha vontade é poder entrar em um hotel e dizer: esse aqui tem 10…20…30…60…120… estrelas! Uma para colaborador!

Enquanto isso em São Paulo, os proprietários, operadores, investidores e hóspedes dos flats paulistanos estão mais tranqüilos: foi baixada a portaria de regulamentação para os empreendimentos que entraram em operação antes de 3 fevereiro de 2005. Com isso, há garantia para a cidade continuar sendo o maior destino realizador de eventos da América Latina. Como diz o eterno príncipe da hotelaria, o querido Rafael Jafet: viva! Mesmo com o excelente trabalho da São Paulo Turismo e do São Paulo Convention & Visitors Bureau, ainda falta uma maior divulgação dos atrativos turísticos para trazer cada vez mais turistas. Boa semana cheia de paz e saúde!

De ladinho

Nesta semana fui ao Festival do Turismo de Gramado. A cidade está cada vez melhor. Limpa, organizada, os cidadãos educados, atendimento excelente. Enfim, o município conscientizou-se que vive quase 100% do Turismo e é por isso que trabalha para agradar os turistas que chegam o ano inteiro.

Repito 1: o melhor negócio do mundo é o Turismo. Traz divisas, aprimora a infra-estrutura das cidades, desenvolve a cultura e a educação de todos, movimenta a economia, além do fator mais importante: o segmento propicia a felicidade, o bem-estar, a alegria, o divertimento e a amizade.

Repito 2: o país deve se concentrar em desenvolver todas os destinos com potencial turístico, tranformando-os em Gramados, Floripas, Antoninas, Bonitos, Águas de Lindóia, Búzios, Itaúnas, Morros de São Paulo, Itacarés e muitos outros que se fossem merecidamente citados formariam em extensa lista de tirar o fôlego.

Repito 3: o Ministério do Turismo deve, precisa e merece ter um executivo que conheça e acumule em sua bagagem profissional muitos anos de experiência. Alguém que durante seu discurso não repita dez vezes as mesmas palavras…

Bom nobre leitor, você deve estar se perguntando o que o tíulo “De ladinho” deste post tem a ver com tudo isso. Explico. Viajo desde os 12 anos em vários tipos de aviões. Ultimamente, os aeroplanos de algumas companhias brasileiras, para poderem transportar mais passageiros deixam um espaço mínimo para as pernas. Ou seja, mais espaço para fileiras de assentos e menos para pessoas de alta estatura. Tento sempre pedir para me acomodarem nas fileiras centrais onde ficam as saídas de emergência, o que nem sempre é possível. Às vezes as atendentes não sabem exatamente onde elas ficam, devido ao tipo da aeronave e se confundem.

Nesta última viagem, sentei numa das poltronas do corredor, o que foi a minha sorte. Logo que o avião decolou o passageiro (muito egoísta) reclinou o seu assento, não me possibilitando nem ao menos posicionar o note book para trabalhar um pouco. Joelhos travados e sem espaço, a solução foi erguer o braço da poltrona e me sentar de lado com as pernas para o corredor. Ainda bem que a viagem foi curta.

Lembro quando o Nelson Jobim assumiu o Mini-estéril da Defesa. Bravejou sobre essa questão da distância ridícula entre os assentos. Disse que criaria uma norma para regularizar a situação, bláblábli e blábláblá. Nada foi feito e nem imagino o que tenha acontecido para que a ação fosse deixada de lado. Alguém sabe? Bom, vamos para mais uma semana de trabalho. O Natal se aproxima e talvez milagres aconteçam. Fui nessa!

Somos apenas grãos de areia

Estive lendo alguns textos científicos sobre o nosso planeta que indagam qual é a verdadeira importância que temos sobre a ótica inversa da nossa existência. Ou seja, o que é mais importante? O universo infinito ou um pequeno planeta azul? Pensando de forma macra e comparando a raça humana com a grandiosidade do universo, o que somos? De onde viemos, para onde vamos? Qual é a razão de estarmos aqui? Crise existencialista ou vontade de saber algo mais? Desejo ir a fundo e não ser apenas o sêr que acorda-levanta-trabalha-come-consome-bebe-dorme e cria o mundinho em sua volta. Lembra do filme The Wall?

Como seres maravilhosos que somos, temos a capacidade de parar, analisar e tomar decisões que nos façam avançar para caminhos além da freqüencia AM, sair da faixa da qual a maioria da população vive, discutindo a vida alheia, comentando situações de baixo nível que não agregam nada e ao contrário, acabam se tornando viciantes e enlamaçadas, como se fosse o próprio umbral.

Atitudes simples e positivas que começam dentro de nós mesmos e que não têm nada ver com outros marinheiros que estão, como todos nós, no mesmo barco. São poucos os seres que saem de manhã com o coração feliz e radiante e que automaticamente transforma nossa face em rostos cujos olhos sorriem apenas por estarem naquele momento felizes sem nenhuma razão específica, sem qualquer motivo. Você já vivenciou esse sentimento? A fórmula é bem simples: acorde, sorria e viva! Viva a vida da qual você pode obter novos conhecimentos, novas amizades. Olhe no olho das pessoas e sorria espiritualmente, você vai notar a diferença. E não faça nada esperando algo de volta. A espontaneidade é a essência pura e a mais volorizada. 

Parece difícil, porque às vezes, não temos vontade de olhar na cara de ninguém e muito menos iniciar uma conversa. Mas, quem disse que você precisar fazer isso? Começe apenas estampando um leve sorriso em seu rosto, essa descontração muscular é para você mesmo, é para o seu bem-estar! Esqueça seus problemas e anseios pessoais. Todos temos dificuldades e as fases vêm e vão, os problemas são apenas percalços que ajudam nosso amadurecimento. Um exemplo do nosso segmento, e de outros também, é que quantos mais problemas temos, mais experientes ficamos e mais valor no mercado de trabalho passamos a ter.

Por isso, amigo leitor, experimente, a partir de amanhã, acordar feliz e ter em seu pensamento que o dia será glorioso, novos conhecimentos serão adquiridos. Você é um imã, então, para atrair apenas energias positivas, seja positivo! A vida é bela, basta analisar pela ótica certa. Por isso, digo que apenas dois sentimentos são a base de tudo: o amor e o conhecimento! Com eles, todos os caminhos estarão abertos e a tua passagem garantida. Fui, com desejos de excelentes momentos para todos nesta semana que se inicia!

A japonesa e a italiana

Sempre tive queda por uma italiana - até casei com uma e inclusive tenho ascendência. Numa determinada época da minha vida, fui apaixonado também pela japonesa (e continuo sendo). Até afirmei para os amigos que na próxima encadernação gostaria de ser publicado na Terra do Sol Nascente. Com isso, fico muito feliz em morar aqui em São Paulo, cidade com aspectos e atrações únicos do continente sul-americano incluindo opções da gastronomia mundial. Hoje, vou escrever sobre dois restaurantes, um japonês que nunca tinha ido e outro, um italiano, que considero ser um dos melhores da cidade.

Bom, na sexta-feira meu filho Gianluca e eu fomos curtir uma japonesa. Uma amiga da minha filha indicou o restaurante que vi nascer há dez anos na rua Nebraska 326, há três quadras de casa, mas nunca tive vontade em conhecer - indicação é o melhor marketing. Fomos à pé sob a fina garoa que caía do céu nublado e sem estrelas. Lembro que o Dairin abriu com poucas mesas. Hoje, o salão foi ampliado para a lateral e ao andar de cima.

Depois de analisar o cardápio, resolvemos experimentar o Festival de Sushi (35R$ nos finais de semana). Rolinho primavera de legumes e guioza de peixe foram as entradas que assinalaram para nós o sinal verde com uma boa expectativa. O temaki de atum veio caprichado e de bom tamanho, ou seja, grande. Dispensamos o missô e o peixe (anchova ou salmão) grelhado – a fome não era tanta, mas nos deliciamos com o combinado que incluía algumas criações exclusivas e muito boas. Resumindo: está aprovado e ganhou mais uma família-cliente.

E no sábado, fomos ao antigo Lellis da Peixoto Gomide, que mudou de nome para Trattoria Peixoto Gomide (não tem site). Sempre preferi este Lellis do que a da Alameda Campinas. É muito mais aconchegante e autêntico. O ambiente como o maitrê e o cliente saídos da Família Soprano, deu um toque especial cinematográfico. O buffet de antepastos (58R$ o quilo) já foi uma viagem. Lulas, mariscos e camarões, além do presunto de parma e outros ingredientes nobres. Nada de exageros, mas tudo do bom!

Estávamos em quatro e escolhemos dois pratos: Panzerotti à moda do chef com molho primavera e Ravioli de ricota alla napolitana. O primeiro tinha um molho apurado muito saboroso que nos fez lambuzar os dedos passando pão italiano no resto do molho. Excelente. O Ravioli também foi aprovado pelos filhos. Leve e saboroso disse a filha Giulia.

Bom, vou assar uns alhos e um joelho-de-porco na brasa antes da corrida de hoje e esperar com ansiedade a definição do campeonato deste ano. Depois, se valer a pena, comento!


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