Arquivo de Dezembro, 2008

Ibirapuera em preto e branco

Ontem, 28, demos uma chegadinha no parque do Ibirapuera, também conhecido como o Central Park paulistano. Abrindo um parênteses aqui, o Ibira tem 1,6 km² e o CP, 3,4 km². O paulistano foi inaugurado em 1954 e o nova-iorquino em 1857.

Comparações a parte, o Ibirapuera – em guarani significa árvore (ibira) apodrecida (puera) – é o maior parque da cidade e recebe milhares de cidadãos nos finais de semana. Na época da colonização, a região era ocupada por uma aldeia indígena.

Fiz algumas fotos em preto branco com meu celular. Veja se gostam e aproveito para desejar um bom final de ano e um 2009 repleto de AMOR = PAZ = SAÚDE = PROSPERIDADE

Panetones, chocotones e outros tones

Perguntei para o caçula hoje de manhã o que significa o natal pra ele. Sem pensar ele respondeu: “alegria e dar presentes!” E o que é a alegria?, indaguei. “Ah, é que é o final do ano e ganhamos presentes!”, finalizou o pequeno. Brochei e pensei que preciso ter uma conversinha séria com ele. É óbvio que aos seis anos, o mundinho dele se baseia em brincadeiras e emoções fortíssimas como por exemplo participar de uma corrida de motocross na tela do computador ou ser levantado por mim até o teto da sala.

Na verdade, o que ele vê por aí sobre o natal? Milhares de pessoas fazendo compras na 25 de março e e outros centros comerciais. Rostinhos de crianças pedindo um presente pras câmeras de TV. Papais-noéis chegando de helicóptero e distribuindo pacotes e mais pacotes. Vovós perguntando, o que você quer ganhar netinho? O próprio presidente disse na TV que os brasileiros vão ter o melhor natal que a história desse país já viu, que devem pechinchar o máximo possível, que este é o momento certo, bláblábli blábláblá…

Além disso, o natal é representado também por panetones, chocotones, goiabatones e outros tones que são inventados todos os anos, como se fossem modelos de automóveis renovados a cada seis meses. Em junho já poderemos comprar um modelo 2010, que maravilha! O poder do marketing que nos faz viajar no tempo e ter a sensação que estamos à frente de todos!

Não podemos esquecer do formoso peru natalino e seus (também congelados) amigos frangões concebidos especialmente para decorar as fantásticas mesas repletas de maioneses, salpicões, lombos, tenders, pernis, frutas secas, mousses, bolotones e o que a imaginação estomacal permitir. Comer, beber (muito) e enfiar no freezer os problemas do cotidiano para que sejam descongelados no primeiro dia útil de janeiro.

Visão pessimista, realista ou individualista? Sei lá e, na verdade, quantas vezes vemos alguém dizer o verdadeiro motivo do natal? Talvez, naquele momento longo de dois minutos, quando estamos reunidos em volta da mesa prontos para atacá-la feito guerreiros neandertalescos e alguém resolve fazer uma oração, paramos, fechamos os olhos nos concentramos e rogamos para que o estômago não faça nenhum barulho borbulhante enquanto a tia faz seus agradecimentos. Depois disso, rolhas gargalares cruzam nos céus da sala de jantar enquanto vovôs e vovós atrasam a fila enquanto tentam, com mãos trêmulas, pegar a farofinha que recheia a última existência de alguma ave-anjo-do-natal.

Depois da festa alimentar e, enquanto ainda nos servimos daquela fatídica colher da sobremesa que provavelmente será o motivo da azia da madrugada, a badalada avisa que é meia-noite! Viva! Em cinco minutos todos os papéis dos presentes são assustadoramente rasgados, embalagens voam pelos ares resultando em sacos e mais sacos de lixo (reciclável) e, por fim, toda aquela ansiedade desaparece num passe de mágica.

O último proseco junto com a piada ingrata do cunhado e chega ao fim mais uma noite natalina. O pessoal vai embora pra suas casas. O sexo não rola porque o devaneio alimentar impossibilita qualquer chacoalho, o movimento da rua cessa e apenas o ronco nazal do pai poderá ser ouvido pela família que dorme aparentemente feliz.

No dia seguinte, os restos dos alimentos e dos sentimentos retornam aos seus lugares e a expectativa é lançada para a semana seguinte na espera do réveillon!

Será que o sarcasmo deste texto me permitirá fazer um desejo? Você poderá me afiançar? OK, vamos lá. Independente das religiões, todas as comemorações dessa espécie são muito parecidas. Paz, união, fraternidade, saúde, felicidade, prosperidade e outras dades são proferidas e desejadas por todos os povos. O meu desejo é que esses sentimentos não precisem esperar 12 meses para serem desejados. Podemos brindar o amor todos os dias! Podemos ter em nossos corações as razões diárias para transformarmos um simples pão com manteiga num banquete. Que a alegria seja uma constante! Que a paz e a união sejam semeados e colhidos por todos! Feliz Existência! Amor = Paz = Saúde! Fui!

Tire o “S” da palavra crise

Durante a semana passada almoçei com o Gustavo, um dos três diretores da Hamam International, empresa brasileira especialista em implantações hoteleiras, que há um ano abriu filial em Dubai. Durante nossa conversa caímos no assunto da crise mundial. “Crise existe apenas para quem não possui criatividade, por isso nossa mensagem é para tirar a letra “s” da palavra, transformando-a em CRIE”, disse o executivo.

Concordo plenamente e tenho falado em meus discursos que as palavras crise e  oportunidade são parecidas no idioma chinês. Na verdade, os dois ideogramas se complementam. Crise para uns e oportunidade para outros. Depende da visão que temos. Para alguns é mais fácil jogar a toalha e mergulhar com a cabeça de avestruz num buraco. O Alexandre Zubaran em seu discurso no Prêmio Caio 2008 disse a mesma coisa: a oportunidade está atrás da crise. Basta dar a volta para poder vê-la.

A alta da dólar no país faz bem ao turismo e às exportações. Os preços ficam mais atrativos. De um lado os turistas brasileiros pensam duas vezes antes de sair do país rumo as miamis da vida, preferindo permanecer em terras nostras para passar o réveillon ou curtir as férias. Me refiro a classe média que sempre dança conforme a música. A classe alta não dá bola às questões e faz o que quer e mesmo sendo apenas uma fatia menor do mercado. De um outro lado, os turistas internacionais desejam conhecer destinos onde suas moedas estão mais valorizadas. Me diga onde é possível se hospedar num cinco estrelas com uma tarifa de US$ 150 ou ainda dugustar de uma alta gastronomia com menos de US$ 100 por casal?

Os governos do Brasil devem fazer o seguinte:

- Melhorar as estradas com plenitude;
- Reduzir impostos e taxas portuárias incentivando a diminuição dos preços das passagens aéreas;
- Investir numa malha ferroviária ligando destinos localizados no interior dos estados em direção às costas marítimas;
- Reduzir os impostos dos meios de hospedagens, das operadoras, agências e dos receptivos;
- Criar incentivos para os turistas viajarem;
- Contratar especialistas do turismo para ocupar cargos estratégicos nos ministérios, secretarias e outros orgãos ligados ao setor;
- Tratar o turismo como prioridade número 1;
- Eliminar de vez a burocracia para os investimentos internacionais e
- Banir a corrupção e fincar a bandeira patriota em seus corações

Todas as ações descritas acima resultarão em um Brasil que pode se tranformar no destino principal do turismo global. A crise nos dá o oportunidade para criar e trabalhar mais. Vamos à luta! Boa semana para todos!

Ele foi despedido. A causa? Não entrou no esquema!

Estamos quase há uma década no século XXI. No primeiro dia de 2009, a internet, o maior invento de todos os tempos, completará apenas 13 anos de história. O ano marca também os 20 anos da queda do muro de Berlim. Os Estados Unidos estão descendo a ladeira enquanto que a China está no caminho para assumir o posto número 1 da economia terráquea.

Os ciclos sempre mudam. Apesar de algumas derrapadas como Talibã, Bucho e Mensalão, além de outras coisinhas nefastas que poderiam ser colocadas todas juntas num cargueiro interestelar e despachadas pro planeta certo, estamos indo pra frente.

Acordo todo dia pensando em o que fazer de novo, o que inventar, criar, mudar, melhorar…Ir adiante! Aí na segunda-feira passada recebo a ligação de um grande amigo: “Acabei de ser despedido!”, me disse. O que aconteceu?, perguntei. “A história é longa, vou passar aí amanhã e te explicar”, respondeu. Fiquei imaginando o que poderia ter acontecido com o Roberto Silver*, profissional respeitado do mercado. Minha intuição é aguçada, me concentrei e a luz veio. Já sei o que aconteceu, pensei.

No dia seguinte, quando cheguei na redação um pouco atrasado (coisas do trânsito paulistano), ele já me aguardava. O que contou me deixou de queixo caído. “Não me deram nenhuma satisfação, mas acredito que duas situações acontecidas recentemente foram a causa. Um dia o gerente geral me chamou e disse para eu criar um caixa dois do extra oriundo do contrato de um fornecedor”, revelou. A resposta do Roberto foi que nunca havia feito isso. Não tem problema, eu te ensino: pede para um amigo receber na conta bancária dele e depois dividimos, rebateu o GG.

A segunda veio alguns dias depois. O braço-direito do GG pediu ao Roberto um recibo de R$ 5 mil. “O que posso fazer é comprar um bloco na papelaria e te dar. Ai você mesmo preenche o que quiser”, respondeu Roberto.

“O pior de tudo, Peter, é o assédio moral que sofríamos o tempo todo. Nas reuniões semanais do cômite com o gerente-geral, ele dizia absurdos, palavrões e ofendia os colaboradores. Trabalhar num clima assim é terrível!”, contou o ex-colaborador.

No fundo, acredito que a saída do Roberto foi a melhor coisa que aconteceu para ele. Tenho certeza que conseguirá uma recolocação em breve e num local  que mereça sua pessoa.

Em relação ao gerente geral, tenho muita dó dele. Espero que mude e se transforme numa pessoa digna e merecedora da posição em que se encontra. Caso ele prefira continuar assim, com essa postura nazista e corrupta, desejo que colha o que está plantando. O mundo dá muitas voltas. Às vezes erramos, mas quando descobrimos que estamos agindo dessa maneira, temos a oportunidade de evoluir. O mundo se transformará quando descobrimos que dinheiro não é tudo. Boa semana para todos!

* Nome real preservado.


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