Arquivo de Janeiro, 2009

Quero ser turista e não residente!

Viajar como turista é bom demais! Dificilmente olhamos ou reparamos em coisas  que a princípio não aparentam atratividade e tudo reluz com os indícios da novidade. O cheiro no hotel e supermercado, restaurantes com comidas que desconhecemos e onde até a mais esquisita iguaria parece bonita na foto. Os sorvetes ficam mais cremosos e o pobre morador de rua se torna mais simpático. Mudamos nossas atitudes e nos tornamos menos chatos. O congestionamento se torna suportável e até a longa espera para sermos atendidos pela garçonete fica transigente.

No fundo somos engraçados pois nos iludimos com qualquer novidade e parecemos até bobos. É óbvio que estou generalizando, mas é assim que funciona, não é? Já vi turistas mal humorados que reclamam de tudo e olham feio pra gente, não sorriem e se tornam pessoas indesejadas pela sociedade. Mas, como digo para os meus filhos e para mim mesmo, precisamos reparar apenas nas qualidades das pessoas pois, defeitos todos nós temos.

Estou voltando das férias pra São Paulo, na verdade estou escrevendo sentado na minha poltrona dentro do avião, olho pela janela, o sol já se foi e os tons alaranjados definem o horizonte. Começo a lembrar das coisas boas que Sampa oferece e que, para nós residentes são comuns e fazem parte da nossa rotina. Ah, a rotina, grande causadora de sentimentos opacos, sem vida, destruidora de casamentos, a ponta do iceberg que esconde o estresse!

Mas, voltando a capital paulista, Ibirapuera, Jardins, Morumbi, as lojas da Oscar Freire, o sanduíche de pernil do Estadão, o de mortadela do Mercadão, o pastel de feira, os pratos deliciosos da chef Ana Luiza Trajano e de tantos outros excelentes profissionais da gastronomia, os barzinhos da Vila Madalena, as cantinas italianas, os sashimis com lâminas finíssimas de limão do chef Sunji, o caju amigo do Pandoro, as ruas do centro velho, as casas do Jardim Europa, o cherinho da cebola e alho fritos na panela de barro da nossa Luiza, o parque Trianon na hora do almoço, a feirinha da Benedito e da Liberdade, a galeria do Rock seus punks e emos, a serra da Cantareira, a Estação da Luz, a farofa com cebola da Galeta Dourada, as dezenas de boas pizzarias, padarias, Higienópolis… E tantas outras coisas boas da mágica São Paulo, que hoje completa 455 anos! Parabéns Sampa! Muita saúde, paz, harmonia, fraternidade, tráfego fluente, empregos, alegria…Viva!!! Que eu possa sempre ter olhos de turista e não de residente! Boa semana!

A hora é essa, pra que esperar? Alguém tem alguma ideia?

Nesta semana, o diretor de uma rede hoteleira demonstrou receio em relação as expectativas do que acontecerá após o mês de março. “Não sei como o mercado está reagindo e não temos nenhuma previsão do que pode vir a acontecer depois desses primeiros dois meses de 2009. Iremos suspender todas as ações de marketing e outros investimentos como repaginações em UHs”, disse o executivo. Rebati com o seguinte argumento: penso que você está equivocado. Dois meses é muito tempo para se perder e este é o momento certo para investir em marketing, captar novos mercados, desenvolver pacotes, conversar com seus fornecedores e colaboradores de cada uma de suas unidades em busca de novas ideias para tentar melhorar o que já está bom. Vender como nunca pois a hora é essa, pra que esperar?

Não estou aqui tentando vender ou puxar o salmão para minha brasa e não visei de modo algum nos interesses do meu negócio. O quero dizer é que se tenho uma loja que vende guarda-sóis e cadeiras de praia, tenho também que ter na minha prateleira guarda-chuvas para os dias nebulosos. Já faz mais de 13 anos que não como mais carne vermelha (bovina e ovina) e sempre que viajo procuro me alimentar salutarmente em restaurantes naturais. Lembro que nas primeiras vezes que fui para Buenos Aires com os mais puros ímpetos da união mercosuliana, encontrei dois restaurantes dessa categoria. Quando voltei uns quatro meses depois, os dois estabelecimentos haviam fechado. Carnívoros de primeira linhagem, comida natural não é para os argentinos. Talvez se o PDV (Ponto de Venda)vendesse outras opções, mesmo que fosse contra a filosofia do empresário, poderia ter alcançado algum sucesso.

É preciso saber que não podemos parar de agir, continuar e perseverar sempre, como se estivessemos trilhando a conquista de nossa amada. Para isso, escrevemos poemas, enviamos flores, fazemos surpresas entre outras ações inesperadas. O futuro nesse caso também é incerto – não sabemos se ela vai corresponder -, mas se agimos com perseverança, conseguimos atingir o objetivo. Por isso caro executivo, gerente ou diretor, levanta dessa cadeira, chame todo mundo e diga bem alto: ei pessoal temos uma grande oportunidade para ganharmos novos mercados. Alguém tem alguma ideia? Tenho certeza que suas expectativas serão ultrapassadas! Fui, desejando uma excelente semana para todos! Boas vendas!

Floripa florida

Quando dizem que a Floripa é a Ilha da Magia certamente é preciso estar nela para entender o jargão. Sendo um dos destinos mais famosos do continente sulamericano, a capital da eterna e bela Santa Catarina, é um composto perfeito entre a cidade-campo-praia.

Em apenas 20 minutos podemos partir do centro, subir a serra e logo na descida babarmos literalmente pela visão mais do que estonteante da lagoa da Conceição, cruzar o caminho das Rendeiras e seguir rumo à praia da Joaquina, sem antes notar que de um momento para outro pequenos pastos com vacas e cavalos aparecem magicamente ao nosso lado e logo depois imensas dunas brancas que atraem turistas de todo o Mercosul verdadeiro (leia-se Argentina, Brasil, Paraguay e Uruguay).

Linhas coloridas de automóveis estacionados e outras filas de visitantes subindo uma das montanhas de areia aguardam vez para descer as rampas com pranchas de esquibunda. Passamos direto pois o sol está a pico e paramos o carro no estacionamento. Chegamos na praia e enquanto minha família se diverte nas águas claras, eu e meu filho de dezesseis, nos divertimos com uma porção de mariscos ao bafo. Pergunto ingenuamente se são da ilha e o garçom responde: “nosso mergulhador colheu dois sacos das pedras em frente pela manhã”. Dããã….

Micos a parte, nunca havia provado iguarias tão saborosas acompanhadas por loiras geladas e ainda olhando as ondas quebrando e tirando o biquíni (superior) da minha mulher. Ah, que dia! Que o sol se ponha e permita a luz prateada da lua iluminar as espumas que chegam desenhando contornos mágicos sob nossos pés enquanto passáros assobiam e mergulham imitando estrelas cadentes caindo no mar!

Imagino como deve ser Floripa na primavera! Bucólica e florida? Aliás, falando em florida, me vem a cabeça a calle Florida em Buenos Aires… Tantos argentinos na ilha neste verão. A alta do dólar favoreceu a vinda deles e a previsão é que cheguem mais de 200 mil hermanos. Os donos das imobiliárias estão felizes com seus imóveis locados, hotéis e hosterías estão lotados e os supermercados vendem bastante. Os restaurantes são menos favorecidos mas não reclamam. Os paulistas consomem em inúmeros pontos de venda gastronômicos, assim como cidadãos de outros estados brasileiros. Muita gente feliz curtindo as 42 praias da linda Floripa!

Após sete anos sem férias (de 30 dias), vir para cá é um belo presente. Viajar é uma das melhores ações do mundo. Viva o turismo! Fui, que a família me espera para mais um passeio! Boa semana!

Israel no Brasil?!

É muito comum as pessoas perguntarem qual é a nossa ascendência. Eu sempre brinco, depois que respondo que tenho sangue armênio, italiano, tcheco, iuguslavo (ou será servo e montenegro) e russo, que minha carroça de cigano está parada lá fora. Minha saudosa vó Rosa, mãe de meu pai, dizia também que algum antepassado nosso foi  judeu… Isso sem contar as outras encadernações vividas, hindú? Japonês? Árabe?

A maior parte de minha família é de origem armênia e desde que sou gente lembro do questionamento e revolta sobre o genocídio que houve entre 1915 e 1917 quando mais de 1,5 milhão de armênios foram mortos. 30 anos depois foi a vez do povo judeu que perdeu também futuros gênios do segmento artístico, hoje tão bem representados por seus descendentes.

Nunca bati no peito e disse que era armênio ou isso ou aquilo. Sempre me considerei um cidadão do mundo e sempre amei a Terra e a todos que habitam esse planeta, que há alguns anos atrás foi mais azul.

É verdade que tenho orgulho de ter escolhido o Brasil para viver a minha atual jornada. Aqueles que me conhecem com mais intimidade sabem da minha filosofia de vida. Quando me perguntam qual é minha religião, respondo: tento ser espiritualista. E todo espiritualista que conheço sempre fala do ser maior, pensa no macro e não no micro. Pensa na existência cósmica e no eterno.

Outro atributo que acredito ser comum na classificação de cada um que permeia o amor entre todos é que existe um respeito muito grande pelo “tempo” de cada um. Não saio por aí querendo que todos que conheço ou passo a conhecer devam pensar como eu. Acreditamos plenamente no livre arbítrio de cada um e o que no fundo desejamos, de verdade, é a felicidade de todos. Nem quero que pensem que sou um santo e perfeito. Se fosse, com certeza estaria em outra esfera planetária ou molecular tentando evoluir mais um pouco. É, caro leitor, o aprendizado nunca cessa até nos unificarmos novamente ao grande criador. Mas, essa é outra história… que também não sei direito.

Tudo isso para dizer que se eu fosse o presidente do Brasil, convidaria o povo judeu para vir para cá. Entraria num acordo com os estados e criaria o estado de Israel no litoral do nordeste. Daria a mesma área que eles (tentam) possuir e diria: venham para essa terra, coberta de boa energia, onde tudo e mais um pouco nasce, se plantando. Parem de guerrear, de ver seus filhos perderem a esperança de ver o mar azul. Venham para cá israelenses e construam um novo país! Deixem de lado as tradições e vivam para uma nova fase que se implantará em vossos corações!

Na verdade, na mais pura verdade, lá dentro do meu coração o que eu quero, assim como milhões de pessoas, é que os irmãos palestinos, árabes, iranianos, judeus, sírios, tibetanos, hindus, chineses, vietnamitas, armênios, turcos, iraquianos, norte-americanos, alemães, ingleses, franceses, nigerianos, angolanos, sérvios, cristãos, protestantes, muçulmanos, budistas,  e outros istas e manos deem as mãos, se abraçem e vivam felizes, unidos em prol de todos! Juntos!

Utópico? Sonhador? Louco? Me chame do que quiser, mas não se esqueça da vontade daquele que nos criou e daquele do qual todos nós fazemos parte. Ou vocês não conhecem a história da onde saiu Abraão? Boa semana para todos nesse ano que se inicia! AMOR = PAZ = SAÚDE = PROSPERIDADE


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