Arquivo de Março, 2009

O construtor e o hoteleiro – Parte 2

O relógio da sala 1 marcava exatamente 19h00 quando Mr. John sentou-se em frente ao senhor Garcia, nesse instante a mesa oval para oito pessoas pareceu grande demais aos olhos do hoteleiro. Imagens da sua infância invadiram sua mente, lembrou-se da primeira vez que pisou no lobby do hotel, tinha quatro anos e segurava firmemente a mão de seu pai. Ficou impressionado com o tamanho dos lustres e dos sorrisos estampados nos rostos de todas as pessoas que passavam por ele. Tudo no hotel era deslumbrante, tinha vontade de correr pelos amplos salões de festas, pular nas camas dos quartos, encher todas as banheiras e nadar dentre as guloseimas que os chefs lhe ofertavam.

Mas a melhor sensação era quando andava de mãos dadas com seu pai, era impressionante a segurança que esse contato lhe proporcionava. Podiam estar entre centenas de pessoas pelas ruas da cidade onde barrigas pretuberantes, colos com cheiro de mãe e olhares de outras crianças eram as únicas imagens que podia ver com seu pequeno tamanho. Olhar pela janela esperando ele chegar do hotel para depois, minutos antes do jantar, poder sentar no seu colo, abraçar apertado e dizer papai te amo e receber de volta as mesmas palavras. Antes de dormir, deitar na cama dele e depois sentir seus braços carregando-o de volta ao seu quarto, colocando com cuidado em sua própria cama, dando um beijo de boa noite. Mr. John sentiu-se privilegiado em ter tido uma infância feliz, com muito carinho e compreensão.

Olhando para o senhor Garcia, achou graça do seu rosto redondo, que lembrava o sargento do antigo seriado Zorro, interpretado ironicamente pelo mesmo ator da outra série que assistia na adolescência, Perdidos no espaço.
- Vejo que está feliz, Mr. John! Soube que os negócios caminham bem!
- Não posso reclamar, estamos superando as metas todos os meses e esperando a inauguração de seu hotel e por falar nisso, tudo dentro do cronograma?
Garcia abriu o jogo e contou todos os detalhes. Tudo caminhava para a abertura, os apartamentos estavam completamente prontos há muito tempo e passavam agora pela fase final de inspeção. Explicou que a melhor atitude que teve foi contratar desde o princípio, antes mesmo de iniciar o projeto, a empresa de consultoria hoteleira.
- Sou construtor de casas, edifícios residenciais e comerciais, não tive muito estudo e como desejava construir um hotel de primeira na cidade, nada mais justo do que cercar-me de profissionais experientes do ramo.
Garcia revelou que a partir daí, seguiu à risca todas as soluções apresentadas. A contratação do melhor arquiteto, decorador, a especificação dos detalhes e compra de equipamentos, tudo feito com base na experiência da empresa de consultoria.
- Fiz questão em não tirar ninguém de seu hotel, por isso contratamos uma consultoria de Recursos Humanos com ênfase em treinamentos e assim pudemos, como dizem vocês hoteleiros, capacitar todos os funcionários. Criamos novos processos de trabalho, sabe?

Enquanto o velho construtor falava, os pensamentos de Mr. John ficavam cada vez mais positivos, ele estava aliviado em saber que o homem tinha se preocupado em fazer o melhor e abrir um bom hotel, só isso já era um excelente sinal. A melhoria e não simplesmente a concorrência. Capacitar os colaboradores! E com antecedência! Investir e não apenas se preocupar em recuperar o investimento o mais rápido possível. Como numa resposta telepática, Garcia disse:
- Estou investindo milhões no hotel, sem financiamento, e o mais importante é que não tenho ganas apenas em recuperar o capital, sei que isso será em médio a longo prazo, mas poder oferecer um serviço condizente, ganhar novos mercados e atribuir o sucesso principalmente na qualidade dos serviços e dos produtos oferecidos por nós.
- Fico muito feliz em saber disso tudo, se me consultasse poderia ter contribuido de alguma forma. Quer ir até o lobby bar enquanto continuamos a conversa?, convidou o anfitrião.
Caminhando pelo grande saguão, Garcia explicou:
- Não quis incomodar, você já ajudou muito, tem o melhor hotel do estado, é um exemplo para todos e tem muito o que fazer. Esperei até agora para me aproximar de você e contar meus planos. Em relação as tarifas, vamos trabalhar com um segmento que não irá interferir com sua produtividade, podemos inclusive fazer algumas ações para melhorar o destino transformando-o num atrativo turístico, assim poderemos ampliar os mercados e trabalhar com um mix de hóspedes de turismo e lazer, o que acha?
- Claro, você já se associou ao convention bureau? Eles têm ótimas idéias, vou te apresentar o Thony, ele é fantástico…

Como num filme, a imagem dos dois entrando no lobby bar desaparece com um fade out. A próxima imagem é do garçom que sai do elevador carregando uma bandeja e se dirigindo ao apartamento 2113. De repente, escuta um grito feminino vindo da porta da suíte… A cena congela. Quem sabe um dia termino esse romance?! Boa semana para todos!

O hoteleiro e o construtor

Era uma vez um hotel cinco estrelas localizado no alto de uma colina metropolitana. Lá, todos os colaboradores eram muito felizes pois o hotel bonificava por pontuação, assim a rotatividade era quase nula e o serviço, ah… Impecável!  As altas diárias eram cobradas em moeda estrangeira e o resto dos hotéis daquela cidade se orgulhava em poder participar da mesma lista onde o nome do tão magnífico empreendimento se postava no topo da página, permitindo-os a trabalhar com boas e honrosas tarifas.

Pelo seu grandioso ballroom, reis, príncipes, chefes de estado, cantores, atores e outros astros internacionais desfilavam enquanto lá fora, na calçada, dezenas de paparazzis brigavam por um lugar para conseguir registrar com suas fálicas lentes momentos exclusivos dos hóspedes para que seus rostos pudessem estampar as capas das revistas de fama semanais. Todos os colunistas sociais do país imploravam para que a poderosa RP do hotel os incluísse na lista de convidados e em todas as noites, exceto nas sextas-feiras santas, doze chefs preparavam incomparáveis iguarias que deixariam Antonin Carême mais morto ainda de inveja.

Tudo naquele fabuloso hotel era perfeito! Mas, como tudo nesta vida não é eterno, um milionário construtor ibero-americano resolveu se instalar nas vizinhanças e construir um tão quase igual meio de hospedagem do outro lado da esquina. As obras começaram e os enormes caminhões não paravam de tirar terra enquanto milhares de trabalhadores serravam, soldavam e martelavam as vigas e colunas de ferro que em breve sustentariam os 40 andares do inimaginável novo meio de hospedagem.

Por trás da janela de seu escritório o proprietário do tradicional hotel em operação observava e tentava imaginar quais seriam as maneiras que o empresário-não-hoteleiro usaria para “roubar” seus clientes. Meses haviam se passado e a data de inauguração se aproximava pressionando o nobre hoteleiro, de quarta geração, a encontrar uma solução. Uma batida na porta o fez voltar ao presente. 
- Entre, está aberta. 
- Com licença Mr. John, mas o senhor Garcia deseja vê-lo. Já disse que só com hora marcada, mas ele insiste.
- O construtor? Acomode-o na sala 1, por favor. 
Os pensamentos de John se multiplicaram como centelhas: o que ele poderia querer? Filho da mãe! Nunca atendeu meus telefonemas e agora me procura faltando apenas duas semanas para inaugurar! Fez a barba rapidamente, trocou de camisa, deu um nó cruzado na gravata e desceu. 
- Boa noite senhor Garcia, como vai? Em que posso ajudá-lo?
Sem mover a cabeça, Garcia apenas levantou os olhos e disse calmamente:
- Chegou a hora de conversarmos. Por favor, sente-se.

Continua na próxima semana

Recepcionista ou hóspede, quem deve sorrir primeiro?

Acredito que para iniciarmos o desenvolvimento de um raciocínio e chegarmos a uma possível conclusão, devemos analisar sempre todas as questões ou pessoas envolvidas no processo.

Outro dia cheguei, após viagem de mais seis horas iniciada no lar-doce-lar, entre transfer, aeroporto e voo, ao nosso destino: mais um glorioso hotel. Abro um parênteses e deixo claro que para o meu gratificante trabalho atual, todo meio de hospedagem é glorioso. Não precisa ser um cinco estrelas necessariamente, mas um empreendimento que trabalhe a hospitalidade, o bem estar, a simpatia e o acolhimento.

Pois bem, me aproximo do balcão e minha expectativa é escutar: bom dia, bem-vindo ao…!!! A primeira frase que sai da boca do recepcionista postado atrás da grande muralha de segurança, o impenetrável balcão é: o senhor veio para o evento? Antes da minha resposta ele aponta para a mesa do outro lado do lobby onde três recepcionistas aguardam a chegada dos participantes de uma convenção. Respondo com uma negativa. O que o recepa faz? Abaixa a cabeça e começa a digitar algo no teclado com seus olhos voltados ao seu melhor amigo, o monitor. Espero cinco segundos e digo: tenho reserva e meu nome é… Sem dizer nada ele vai até uma ponta da nave mãe e olha alguns envelopes, minha mente sorri ironicamente e saio dali em direção de uma mesa com sucos e outros líquidos de boas vindas aos congressistas. Bebo uns dois copos de água de coco (com gelo) sem pressa. Volto para a recepção e a FNRH está colocada de forma exata e paralela com a caneta em posição reta, tudo com perfeição geométrica. Mato a charada! O recepcionista é do signo ou com ascendente em virgem e deveria estar trabalhando na controladoria. Obviamente, não digo isso a ele, afinal posso ser mal compreendido. Nesse instante chega o diretor de Vendas para nos cumprimentar. Conversamos outros cinco minutos. Termino de preencher o formulário e o recepcionista me entrega o envelope e diz tardiamente: seja bem vindo!

Tudo errado, é o meu pensamento. Cadê a capacitação, o treinamento, a boa vontade e iniciativa? Algumas horas depois, deitado na espreguiçadeira olhando o glorioso complexo aquático e os coqueiros ao som do U2 performando No line on the horizon nos fones do meu tocador de música compactada pensei: será que seu viesse em direção do recepcionista com um sorriso escancarado e dissese a ele, puxa, como estou feliz de chegar ao seu hotel!, ele me respondesse, então seja bem vindo!? Será que eu estava com a cara fechada e isso inibiu o comportamento espontâneo dele? Será que seu eu chegasse com um mimo para ele, o tratamento seria outro? Oh, my god, o que devo fazer para ganhar um sincero bem vindo? Por que não ganho um sorriso?! Ai, não posso nem sonhar em comentar isso com meu analista, vai ser pano pra manga para vinte ou mais sessões. Dá para ir pra a Índia com esse dinheiro!

Comparando: outro dia fui almoçar com a diretora de Marketing de um cinco estrelas localizado também no Brasil. Me aproximei do balcão e a atendente saiu de trás da recepção e se postou com um sorriso apaixonante em minha frente: bom dia! Bem vindo! Posso lhe ajudar, meu nome é… Viva! Ganhei o dia! Fiquei feliz, me senti num hotel, missão cumprida!

Recepcionistas, a saudação é primordial! Sejam sorridentes e deem as boas vindas sempre! Se apresentem e deixem de lado o monitor, atendam como se atendia antes, olhando nos olhos, sem pressa!

Hoteleiros, capacitem, motivem, paguem bons salários para os recepcionistas e para todos aqueles que têm contato com os hóspedes. O investimento é retorno garantido! Fui, com votos de uma excelente semana!

Mulheres: a real solução para este planeta?

Um dos meus gurus, o Irineu Deliberalli, diz que o período matriarcal está voltando. “As mulheres vêm há algum tempo assumindo o controle de várias frentes e isso poderá fazer o planeta voltar ao seu eixo verdadeiro, retornar ao caminho da real evolução do ser humano, que se perdeu há milhares de anos quando os homens assumiram o controle daqui”, explica salienteando que elas não podem perder seu dom maior que é a emoção e entrega. “As mulheres precisam manter sua qualidade maior que é o amor incondicional, sentimento que deve estar sempre acima da razão. Me diga qual é o orgão do nosso corpo que se parar acaba com a vida? Isso mesmo, é o coração! Será que isso já nos mostra o caminho?”, me faz refletir.

O verdadeiro amor tem sido cantado e contado desde os tempos das cavernas, é ele que pode impedir que as brigas começem, os ânimos se aqueçam provocando guerras por assuntos rídiculos como disputa de terras e egos. Veja o caso do Oriente Médio, por lá as mulheres não passam de meros objetos para saciar as vontades dos pequenos homens, o mesmo acontece em alguns países da África, meninas quando nascem ainda tem seus clitóris cortados para que não sintam prazer futuramente e cresçam simplesmente com deveres reprodutores. E veja como esses países estão há centenas de anos, vivem em constante estágio de retrocesso, o terrorismo e a violência imperam…

Estamos caminhando para uma fase de grande transmutação planetária, onde nossos sete chacras serão substituídos por dezenas deles. É o momento para buscarmos o equilíbrio entre o material e espiritual. Entender que o que importa verdadeiramente é o amor, isso inclui a amizade, fraternidade, solidariedade, caridade, compreensão ao próximo (da forma e maneira em que ele se encontra no momento e não da maneira que nós queremos), além do conhecimento. São esses dois aspectos que são acumulados em nosso coração, que é a base da nossa existência.

Não posso deixar de mencionar que existem mulheres que também partem para a ignorância, como aquela primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, a Imelda Marcos da Filipinas ou ainda a Condoleeza Rice, mas são casos isolados.

Mães, irmãs, tias, primas, amigas, companheiras…mulheres! Desejo do fundo do meu coração tudo de melhor na vida de vocês, que sejam compreendidas por nós, os babacas homens e que possamos evoluir juntos pelos quatro cantos do universo! E como já disse várias vezes… Todo dia é o Dia das Mulheres! Boa semana!

Feliz Ano Novo para U2!

O ano laboral de 2009 começa hoje dia 1º, não de janeiro, mas coincidentemente no também primeiro dia deste março, quase como um feriado pois a data cai num domingo. Impressionante como ainda dependemos do término do carnaval para retomar as atividades economicante necessárias para a evolução material. A festa surgiu em detrimento da quaresma da páscoa, pois há muitas luas atrás, alguns povos terráqueos respeitavam o período religioso de 40 dias e continham seus instintos mais rasos como a bebida e a dança e antes de entrar nessa fase de abstinência comportamental, liberavam seus ímpetos em uma festa calorosa e regada ao que a imaginação permitia. Tempos passados, o que outrora se condizia como um torrão de açucar antes da estripolia, o povo brasileiro continua à mercê do período burlesco para iniciar de vez os trabalhos do resto do ano. Mirem-se no exemplo dos nossos congressistas que entram em período de recesso nas férias janeirais – não confundir com generais – e fingem para eles e para nós que fazem algo em prol deste magnífico país no período que antecede o carnaval.

Enquanto isso em Londres, a maior banda do planeta U2 realiza o show no balcão do prédio da BBC para cerca de cinco mil pessoas. O evento aconteceu na sexta (27) à noite e marca o lançamento oficial do novo álbum No line on the horizon que chega às lojas na terça (3). Conversei com o diretor de Marketing do Grand Hyatt São Paulo, o amigo Silvio Araújo, e perguntei qual foi a celebridade-hóspede que deu mais trabalho nesses quase sete anos de estrada do cinco estrelas. “Foi o U2, sem dúvida”, me respondeu. “Mas, estamos preparados para a vinda deles novamente e com muito prazer”, concluiu. As datas ainda não estão confirmadas, pode ser neste ano ou em 2010. E com certeza, estaremos lá novamente no gramado do Morumbi para ver os quatro irlandeses mais famosos da terra. Ah, só para esclarecer, U2 pode significar you too, ou seja, você também! Fui, com votos de um feliz começo de ano com room nights plenas e muitos clientes!


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