Recepcionista ou hóspede, quem deve sorrir primeiro?

Acredito que para iniciarmos o desenvolvimento de um raciocínio e chegarmos a uma possível conclusão, devemos analisar sempre todas as questões ou pessoas envolvidas no processo.

Outro dia cheguei, após viagem de mais seis horas iniciada no lar-doce-lar, entre transfer, aeroporto e voo, ao nosso destino: mais um glorioso hotel. Abro um parênteses e deixo claro que para o meu gratificante trabalho atual, todo meio de hospedagem é glorioso. Não precisa ser um cinco estrelas necessariamente, mas um empreendimento que trabalhe a hospitalidade, o bem estar, a simpatia e o acolhimento.

Pois bem, me aproximo do balcão e minha expectativa é escutar: bom dia, bem-vindo ao…!!! A primeira frase que sai da boca do recepcionista postado atrás da grande muralha de segurança, o impenetrável balcão é: o senhor veio para o evento? Antes da minha resposta ele aponta para a mesa do outro lado do lobby onde três recepcionistas aguardam a chegada dos participantes de uma convenção. Respondo com uma negativa. O que o recepa faz? Abaixa a cabeça e começa a digitar algo no teclado com seus olhos voltados ao seu melhor amigo, o monitor. Espero cinco segundos e digo: tenho reserva e meu nome é… Sem dizer nada ele vai até uma ponta da nave mãe e olha alguns envelopes, minha mente sorri ironicamente e saio dali em direção de uma mesa com sucos e outros líquidos de boas vindas aos congressistas. Bebo uns dois copos de água de coco (com gelo) sem pressa. Volto para a recepção e a FNRH está colocada de forma exata e paralela com a caneta em posição reta, tudo com perfeição geométrica. Mato a charada! O recepcionista é do signo ou com ascendente em virgem e deveria estar trabalhando na controladoria. Obviamente, não digo isso a ele, afinal posso ser mal compreendido. Nesse instante chega o diretor de Vendas para nos cumprimentar. Conversamos outros cinco minutos. Termino de preencher o formulário e o recepcionista me entrega o envelope e diz tardiamente: seja bem vindo!

Tudo errado, é o meu pensamento. Cadê a capacitação, o treinamento, a boa vontade e iniciativa? Algumas horas depois, deitado na espreguiçadeira olhando o glorioso complexo aquático e os coqueiros ao som do U2 performando No line on the horizon nos fones do meu tocador de música compactada pensei: será que seu viesse em direção do recepcionista com um sorriso escancarado e dissese a ele, puxa, como estou feliz de chegar ao seu hotel!, ele me respondesse, então seja bem vindo!? Será que eu estava com a cara fechada e isso inibiu o comportamento espontâneo dele? Será que seu eu chegasse com um mimo para ele, o tratamento seria outro? Oh, my god, o que devo fazer para ganhar um sincero bem vindo? Por que não ganho um sorriso?! Ai, não posso nem sonhar em comentar isso com meu analista, vai ser pano pra manga para vinte ou mais sessões. Dá para ir pra a Índia com esse dinheiro!

Comparando: outro dia fui almoçar com a diretora de Marketing de um cinco estrelas localizado também no Brasil. Me aproximei do balcão e a atendente saiu de trás da recepção e se postou com um sorriso apaixonante em minha frente: bom dia! Bem vindo! Posso lhe ajudar, meu nome é… Viva! Ganhei o dia! Fiquei feliz, me senti num hotel, missão cumprida!

Recepcionistas, a saudação é primordial! Sejam sorridentes e deem as boas vindas sempre! Se apresentem e deixem de lado o monitor, atendam como se atendia antes, olhando nos olhos, sem pressa!

Hoteleiros, capacitem, motivem, paguem bons salários para os recepcionistas e para todos aqueles que têm contato com os hóspedes. O investimento é retorno garantido! Fui, com votos de uma excelente semana!

14 Respostas to “Recepcionista ou hóspede, quem deve sorrir primeiro?”


  1. 1 hoteldoze 16, 03, 2009 ás 11:57 am

    Excelente. Sinto e desejo 100% a mesma situação ao ser atendido em hotéis e restaurantes.

    Super ultra básico tudo que você disse, mas porém o básico que infelizmente parece luxo ou até mesmo utopia na cabeça de muitos empresários e hoteleiros.

    Talvez a empatia devesse ser ensinada a todas as pessoas que prestam serviço.

    Abraço, Rodrigo

    http://mesacafe.blogspot.com
    gavarodrigo@hotmail.com

  2. 2 hoteldoze 16, 03, 2009 ás 4:49 pm

    Excelente. Invariavelmente observo a mesma coisa. Apesar de super ultra básico o seu desejo, isso parece um luxo e uma utopia para muitos empresários e hoteleiros. Uma pena ou um saco mesmo essa realidade.

    Acredito que a empatia deveria ser ensinada em todo processo de treinamento.

    Rodrigo.
    http://mesacafe.blogspot.com

  3. 3 Milena 17, 03, 2009 ás 12:04 pm

    Amigo Peter,

    Quantas vezes conversamos sobre este assunto nos ultimos meses e nada mudou!

    Acho que recepcionistas ou colaboradores em geral que sejam educados, cordiais e gentis vão muito além de um bom salário, acredito que existe um item importante chamado educação basica (muito em falta hoje em dia).

    É uma pena, mas como diria um grande amigo, vamos treinar, treinar, treinar…

    Beijos
    Milena

  4. 4 Ari Giorgi 18, 03, 2009 ás 9:51 am

    Peter,
    Excelente esse tema. De fato, com raras exceções, a hospitalidade nos hotéis está em baixa! Quem diria? Realmente a leva atual de recepcionistas está sofrível. Pessoas mal treinadas? Não…são pessoas erradas nos lugares errados. O problema está na seleção. No ramo da hospitalidade, em primeiro lugar se contrata “um sorriso” depois treina de acordo com os padrões da empresa. Quem não sabe “servir” com interesse não pode trabalhar no ramo. Vai se dar melhor trabalhando para o Governo. Abraço,

  5. 5 Susana 19, 03, 2009 ás 9:59 am

    Peter,

    Concordo plenamente com você, hoje o perfil do profissional mudou muito e a qualificação a cada dia mais baixa, mesmo treinado ainda temos problema no atendimento. Te pergunto: Não seria o caso de trabalharmos também a auto estima?
    Como diz a Milena não é o salário que faz o profissional e sim o profissional que faz o salário, principlamente no nosso meio, não é?

    abraço,

    Susana Diniz
    Best Western Sol Belo Horizonte

  6. 6 Patricia Aragão 19, 03, 2009 ás 7:21 pm

    Querido Peter,
    hospitalidade é meu dia à dia fazem 21 anos. Lamentavelmente, o mercado está cada vez mas tendendo para preço e não para qualidade. Todos os meses são despejados no mercados novos empreendimentos com 0.03 funcionário/UH o que torna impossível a prestação de um serviço decente!
    A hotelaria tradicional é uma espécie em extinção e privilégio de quem pode pagar 5 estrelas, o que aliás, são pouquíssimos hoje em dia.
    É claro que o stresse do dia à dia também vem deixando nossos hóspedes cada dia menos cordiais, o que dificulta o exercício de nossa gentileza.
    De qualquer forma, atendimento ao cliente é antes de tudo um sacerdócio que deve ser abraçado por vocação e ser exercido com amor e dedicação.
    Minha empresa tem muito orgulho em praticar “devoção” total ao hóspede há quase sessenta anos e a prova disso é que temos hóspedes que frequentam o hotel há 30 anos.
    Um beijo no seu coração e vamos seguir lutando pela excelência em atendimento na hotelaria!

  7. 7 Marilia Affiune 20, 03, 2009 ás 10:10 am

    Querido Peter,
    sem dúvida nenhuma quem deve sorrir primeiro é o recepcionista. O hóspede está chegando em nossa casa e deve se sentir acolhido, devemos transmitir a certeza de que para nós é um prazer tê-lo em nosso hotel sempre !
    Abraços e obrigada pelo tema que tanto nos ajuda !

  8. 8 Sheila Pimentel 20, 03, 2009 ás 4:46 pm

    Com o intuíto de contribuir para a analise de todas as questões ou pessoas envolvidas no processo deste artigo “ Recepcionista ou hóspede, quem deve sorrir primeiro?”, quero presentear-te com mais alguns apontamentos.

    Empreendimentos que trabalham a hospitalidade, o bem estar, a simpatia e o acolhimento são cada vez mais reduzidos a poucas pessoas, na equipe do hotel, que entendem a importância da questão. Um hóspede que chega cansado, aqui no Brasil, espera e com razão um sincero “bem vindo” de quem lhe recebe, porém este “bem vindo” representa uma grande mudança negativa no turismo do país. Escrevo “aqui no Brasil” já que o custume de receber bem as pessoas fez, parece não fazer mais, parte da cultura Brasileira. Este mesmo hóspede deve recordar-se que receptividades ruins são cada vez mais comuns no turismo.

    Um hoteleiro com mais de 10 anos de hotelaria vai se recordar como “as coisas” mudaram. Recentemente escrevi um pequeno comunicado para a equipe operacional da rede que trabalho, intitulado “A graça da hotelaria” e perguntava aos destinatários: o que aconteceu com a disposição para receber?
    Cadê o jeito cortês quase malandro de surpreender o hóspede; aquele capricho e detalhe de algumas abençoadas camareiras (aquela que mete inveja nas demais); do Gerente Geral atuando como Relações Públicas, convidando os hóspedes “da casa” para uma horinha no bar do lobby… cadê os hóspedes que ficam porque gostam do serviço.

    Posso recordar que “naquela época” não pagávamos mais que a atual média do mercado e que as estruturas dos hotéis corporativos não mudou muito. Claro… tecnologias foram acrescentadas, temos até profissionais formados em hotelaria e turismo saindo “pelo ladrão” para contratar.

    Como?

    Profissionais graduados na área?

    Sabe isso me lembra os inúmeros comentários dos jovens formados que aceitamos em nossas equipes operacionais, eles não querem trabalhar no final de semana, não querem trabalhar em pé. Não acredito em capacitação, treinamento, boa vontade e iniciativa sem pré-disposição, algo que não pode ser facilmente moldado ou pago.

    O que será que estas faculdades dizem para o novo profissional de turismo; “Hotelaria… não se preocupe não há mais necessidade de estarem disponíveis por 24h, as leis trabalhistas existem”; “Sorrir… não seja bobo os europeus e americanos não sorriem, porque temos de sorrir?”; “Cuidado os hóspedes são malandros, querem sugar seu sangue.”

    Por isso não se preocupe, nem gaste o tempo do seu analista. O que diferencia uma equipe operacional a qual encara o espírito da hospitalidade e a que não encara é a pré-disposição pessoal, aquela que vem da educação.

    Tenho clamado por uma solução, pedido pela conscientização dos Gerentes Gerais de que é preciso ter paciência para educar, diariamente e persistentemente, sempre transmitindo a importância de servir ao outro. Seja um servidor!

    Antes fosse o problema resolvido com dinheiro.

    Um ótimo final de semana e inspiração no domingo.

    Sheila Pimentel

  9. 9 Andre Luz 21, 03, 2009 ás 12:34 pm

    Putz Peter! Sensibilidade prática neste texto. Não sou do ramo de hotelaria, sou só consumidor, mas isso é a verdade. Sentir-se acolhido é coisa raríssima hj em dia. Acredito que transformar acolhimento em matéria de treinamento de serviço, é quase igual a querer ter um funcionário full time motivado, fazendo a mesma coisa repetidamente. É para quem gosta. Eu costumo dizer que os EUA inteiros funcionam como um balcão de hotel, que todos os relacionamentos lá caminham nesta fina lnha entre a cortesia e o serviço.

  10. 10 Alessandra 25, 03, 2009 ás 11:20 am

    Peter!
    Que texto!
    Além de muito bem redigido, reflete perfeitamente a realidade.
    Parabéns!
    Já imprimi para todos da Recepção lerem.
    Obrigada pela contribuição!
    Um abraço

  11. 11 Felipe 04, 04, 2009 ás 4:34 pm

    Muito bom Peter.
    exatamente o que acontece no dia-a-dia.
    Seja no Brasil e as vezes ainda pior fora dele.

    Grande Abraço.

  12. 12 Luiz Gustavo Boscariol 10, 04, 2009 ás 3:55 pm

    Ola Peter, é a primeira vez que participo…

    No meu ponto de vista a culpa não é nem do recepcionista, mas sim de quem aloca ele neste setor dentro da empresa, como não identificar um individuo no momento de uma entrevista. O buraco é mais embaixo, é necessario que exista sinergia. A remuneração é fundamental é umfator motivante , mas quando o individuo não serve pra coisa não adianta.Por mais que ele se esforce, ele não consegue ser um recepcionista ou um mensageiro ou um atendente de bar ou restaurante adequado. Mas não deixo de concordar que melhores salarios seriam fundamentais para aquele que esta no front e que faz a diferença.
    Grato pela oportunidade.
    Luiz gustavo Boscariol
    Guest relation

  13. 13 johnathan 09, 05, 2009 ás 6:26 pm

    excelente texto cara… ja passei por isso e sei como é… ser atendido por alguem com cara de bunda, como se eele quem estivesse fazendo um favor a mim.

  14. 14 manoel 11, 09, 2009 ás 9:29 pm

    Olha talvez não seja tanta educação… Sim talvez um pouco, mas sim força de vontade.
    Digo porque sou recepcionista de um hotel famoso na minha região, se vc tem um bom salário, confiança do seu chefe, vc tem tudo pra sorrir ou pelo menos mostrar que tá feliz com seu trabalho, com seu chefe, aí vc vai transmitir outra imagem. E ninguém me diga que toda vez que vc ver um hóspede se dirigindo ao balcão, vc tem que ficar sorrindo, seja educado atenda as nessesidades do cliente mesmo que não possa ajudar mais mostre uma força de vontade, se errar em alguma coisa seja sincero, peça desculpas, que é asim que vc vai conseguir dar um sorriso para o cliente e ele te devolve outro. Então é conselho de recepcionista com 12 anos de profissão, não prescisa ver o cliente e começar seus sorrisos, atenda bem mostre força de vontade seja vc, porque aí vc vai fazer com o que o cliente se sinta bem. Abraços a todos e fiquem com Deus.


Deixar uma Resposta