Fomos, a família toda, acompanhar o pequeno para assistir o filme Uma Noite no Museu 2 com o divertido Ben Stiller. A grande sensação foi ir à região central de São Paulo para ver a reabertura do Cine Marabá em plena avenida Ipiranga. O cinema foi um dos maiores da cidade e lembro muito bem em ter assistido ali, durante minha varonil adolescência, várias películas. Depois veio o período negro do fechamento dos cinemas de rua a ascensão dos de shoppings.
Só para constar: no edifício em cima do cinema fica o Hotel Marabá, que merece ser visitado pois foi um dos últimos trabalhos da arquiteta Janete Costa, que subiu para o segundo andar em dezembro de 2008.
Bem, fomos lá e infelizmente nem tudo era como antes, a começar pela falta de estacionamentos descentes. Existem vários que ocuparam antigos pontos comerciais como restaurantes e lojas – o saudoso Museu do Disco na Conselheiro Crispiniano virou um deles – e sinceramente não inspiram nenhuma segurança, primeiro porque o espaço deles é apertado e os manobristas ficam pra lá e pra cá com os carros dos clientes. A solução encontrada foi pedir uma vaga pra Santa Terezinha* e parar na rua mesmo.
Aí começa um outro problema, típico da região central de sampa. Caminhar meia quadra até o cinema não é algo prazeroso, muita sujeira na rua, mendigos mil, lixo acumulado embaixo dos postes centenários, enfim um descaso! Bom, chegamos ao Cine Marabá! O grande lustre de cristal bem no meio do saguão, onde fica a exagerada bomboniere, de um lado os guichês e do outro a entrada. Uma verdadeira confusão. Para comprar nossos ingressos foram sete minutos, pois o atendente que além de se concentrar em dar treinamento ao seu colega, me perguntou três vezes a quantidade de ingressos que eu queria - juro que eu respondi com calma todas as vezes!
- En-tão se-nhor, são três me-ias e du-as in-tei-ras?
- Sim!
30 segundos depois:
- En-tão se-nhor, são três me-ias e du-as in-tei-ras?
- Sim!
90 segundos depois:
- En-tão se-nhor, são três me-ias e du-as in-tei-ras?
- Sim!
Depois, na hora de pagar, faltou troco… mais demora!
Com os ingressos na mão, tivemos que atrapalhar as outras filas para tentar chegar do outro lado, entre esbarrões pipoquiais e pedidos de “com licença” e “me desculpe”, conseguimos! A simpática e educada controladora de ingressos nos indicou o caminho e subimos as escadarias para chegar na sala 5. Mais um lance e estávamos dentro da sala que tinha metade das cadeiras nas laterais pois as escadas ficam bem no meio dela. Queria saber quem projetou a reforma. Sentamos na lateral e, enquanto as luzes não se apagavam, ficamos escutando o filme na sala vizinha e, mesmo depois do nosso filme ter começado, podíamos às vezes escutar um estrondo ou outro…
Resumindo: a impressão que tive é que era a estréia da Playarte na administração de um cinema: falta de treinamento, logística impensada e projeto mal feito. C’est la vie! La vie brésilien! Ah, o filme? Meu filho de seis anos adorou! Boa semana e um feliz mês de junho para todos!
* Ver no post Qual será o santo dos hoteleiros?
Comentários recentes