Arquivo de Junho, 2009

Hospitalidade no seu grau máximo

Poderiam existir mais famílias no mundo brasileiro da hospitalidade como os Dias. Com certeza a hotelaria independente deste magnífico país seria diferente, aliás aqui vai minha sugestão ao Antonio para que escreva mais um livro – já produziu um em 2007 sobre a história de seu resort – assim, sua filosofia de trabalho possa servir de exemplo para transformar donos de hotéis em verdadeiros Hoteleiros.

Pudemos ter a experiência em estar no resort da família Dias em Campinas por quatro noites, acompanhando a abertura do The Palms, o mais novo hotel do complexo, repleto de novidades tecnológicas e materiais de primeira qualidade e, finalmente, com a utilização da criatividade nos novos mimos de boa noite – até que enfim alguém decidiu mandar pro espaço os chocolatinhos! The Palms: um meio de hospedagem que não fica devendo nada aos outros oriundos das camadas internacionais.

Como bom (e orgulhoso) taurino que sou, a observação faz parte da minha índole primária e talvez meus olhos e seus nervos tenham sido estudo dos cibernéticos que criaram, no futuro, a visão do andróide schwarzeneggerniano da trilogia The Terminator, mas isso é apenas um detalhe. Mas, que ajuda, ô se ajuda!

Comentei para o Antonio que estamos na torcida para que, pelo menos uma vez por ano, novas aberturas ocorram, pois assim poderemos ter um revival do glamour da hotelaria de outrora, um glamour atualizado porém com a alma da máxima hospitalidade, aliada ao caráter nobre e digno dessa família campineira de coração.

Desde sexta-feira os convidados do final de semana festivo puderam desfrutar de jantares, shows emocionantes com o pianista e maestro João Carlos Martins, alegres e românticos como da atriz e cantora Marisa Orth, e instigantes como do jornalista e apresentador Zeca Camargo. Atrações que foram contratadas não apenas para divertir, mas que foram sensivelmente estudadas para passar para todos mensagens de emoção, amor e conhecimento. Sensações que são a essência da vida, que é tão bem representada pelos hotéis. Me diga, nobre leitor, qual é o “negócio” nesse planeta que retrata fielmente a vida? Sim! O hotel, a base dos viajantes, turistas e apaixonados por ela! Vamos dar um viva com desejos de muita saúde para os Dias que virão! Boa semana a todos!

A Tribo de cada um e de todos nós!

Muito triste que em pleno século XXI ainda existam pessoas que possuam a mentalidade neanderthal como foi o caso dos integrantes da gangue que assassinou, no domingo (14), o cozinheiro de um restaurante paulistano, que estava apenas indo visitar um amigo. Existem pessoas que são energizadas por sentimentos negativos mas, como diz meu guru: todos estão aprendendo e passando por momentos condizentes a evolução de cada um. A mais pura verdade. Todo indivíduo tem seu tempo na jornada evolutiva e se o supremo criador respeita essa evolução, devemos respeitar também, mas isso não quer dizer que devemos ser passivos, por isso as leis foram criadas, para serem respeitadas. Anarquia, não!

Há muito tempo atrás, antes do homem-branco chegar na América, existiam várias tribos em todo o continente. Os peles-vermelhas no hemisfério norte, os Maias na parte central, os Incas no Sul, além de outras comunidades na Amazônia. Todos viviam em certa paz, respeitando a todos e, principalmente, sem agredir a Mãe-Terra! Depois, algumas tribos começaram a guerrear contra outras e aí o caos começou.

Acredito piamente que nossa verdadeira missão neste planeta é que possamos viver na paz com todos, já escrevi sobre isso em posts passados.

O planeta e suas tribos podem ser exemplificados perfeitamente por um Hotel (H), que representa a Terra, os departamentos são as tribos e a união de todas resultam no acolhimento de outros seres, os hóspedes. Se uma tribo briga com a outra, como a Recepção (R) e a Governança (G) ou esta com a Manutenção (M), o hóspede pode ser prejudicado. Se M não cuida de H, o mesmo adoece, se G não limpa H, a sujeira prevalece e assim por diante. Ah, se a Cozinha não prepara os alimentos, todos ficam com fome.

Precisamos sempre estar unidos em prol de um terceiro sem nos esquecermos do ser principal, que somos nós mesmos! Por mais amigos que tenhamos, esposa, filhos, família, no fundo somos apenas um, só que fazemos parte de um Ser maior, que no fundo também é um só. Assim como nosso corpo que possui cerca de 72 mil células e dentro de cada uma outras tantas infinitas, igual ao Universo! Complicado? Simples!

Simples como a vida, cujo segredo é estar em paz consigo mesmo, para poder nos amar e assim aos outros, sem raiva, sem ganância, inveja, rancor ou mágoas, apenas com a pureza que existe lá no fundo de nosso coração, onde vive a chama-piloto do centramento do ser divino que existe em cada Um! Viva a Vida e viva Você! Boa semana com boas energias e muito amor!

A correnteza do rio e as ignorâncias digitais e analógicas

Queria saber o que se passa na cabeça de alguns administradores que pedem para seus gerentes de TI bloquearem acessos à internet de colaboradores, sejam eles de nível gerencial ou funcional. Outro dia, um conhecido gerente geral de uma unidade pertencente à uma rede de hotéis me ligou e perguntou:
- Que raio é Klaatu Barada Nikto*?
- Ué, clica no link, lê e você vai saber!, retruquei.
- Ah, mas aqui no hotel não temos acesso aos blogs! Não há permissão!, respondeu.
- Como assim, não há permissão? Quer dizer que se quiser acessar o blog do Ricardo Freire para dar uma dica de viagem para um hóspede, não dá?, espantei-me.
- Isso mesmo.
- E se um hóspede quiser acessar um blog, não dá?
- Isso mesmo.
- Alguma outra restrição?
- Que eu saiba não.

Fiquei indignado pela atitude da rede em restringir o acesso e tornar viável um mau atendimento aos seus hóspedes. Olhei para o calendário e constatei: estamos em 2009, sim, data estelar dois-mil-e-nove. E aí lembrei de uma história que o Móris Litvak exemplificou um par de vezes.

Quando Moisés levava seu povo rumo à Terra Prometida, muitos do que o acompanhavam se lamentavam dizendo:
- Por que estamos aqui sofrendo, caminhando pelo deserto a procura de um lugar que não temos certeza que existe?
- É verdade!, dizia um ancião, pelo menos no Egito tínhamos o que comer, mesmo sendo escravos!
Moisés coçava a barba e na primeira oportunidade que teve bateu um papo com Deus.
- Não consigo entender por que eles reclamam agora que são livres!
- Não se preocupe, a solução é vagar 40 anos e esperar que essa geração passe para o segundo andar, a nova geração verá tudo com outros olhos.

Será que é isso que precisa acontecer? A geração pré-internet precisa estar a sete palmos da grama para que as coisas mudem? Ainda bem que não, a ignorância sempre existiu e continuará existindo, a ignorância pode ser digital ou analógica, mas a correnteza do rio vai levando tudo que encontra pelo caminho, troncos, galhos, gravetos, lixo… Tudo cai na cachoeira e nem todos voltam à tona. Afundam de vez. E aqueles que sobem à superfície continuam a jornada da vida.

Passado alguns dias recebi um texto muito interessante – O mundo conforme Casciari -de um escritor argentino fazendo uma apologia com a idade dos países. Muito engraçado e legal. Encaminhei para alguns amigos, entre eles o gerente geral da rede. Dois minutos depois, veio a mensagem de failure do e-mail. Abri e meu queixo caiu. A razão pela não entrega foi a seguinte: ESTA MENSAGEM ESTÁ SENDO BLOQUEADA PORQUE CONTÉM PALAVRAS PROIBIDAS . Quais palavras? Voltei e reli o texto e achei-as: masturba, peitinhos e mais algumas outras que qualquer adolescente conheçe. O texto não é pornográfico, mas, na cabeça do administrador… Aí só para conferir busquei uma foto de uma bunda feminina, copiei, colei no corpo do e-mail e vupt, mandei pro GG. E não é que ele recebeu? E viva a vida! Boa semana e tudo de ótimo! Fui!

* Ver post com o mesmo título

A vida como ela é… Mas, e o mercado? É claro que está sabendo!

Não quero de forma nenhuma plagiar o saudoso Nelson Rodrigues – aliás aí vai uma dica para quem gosta de uma boa biografia: o Anjo Pornográfico, do meu escritor preferido Ruy Castro, que é sobre a vida do Nelson -, mas a vida as vezes nos prega algumas peças, nada teatrais e infelizmente muito reais!

Não vou entrar em detalhes, mas as vezes o sistema nos desanima. Estou cada vez mais pdavida com a normalidade da indiferença das pessoas com algumas ações e da indiferença da normalidade em outras questões relativas ao coletivo. Parece bobagem, mas não é. O exemplo pode ser fraco, mas retrata fielmente o quero dizer: todos os dias caminho até o estacionamento pela alameda Santos, e em frente ao Sesi tem um buraco quase no meio fio, sempre cheio d’água, alguns carros desviam e outros não estão nem aí. Passam com seus potentes suvs (as peruas grandes) e chuá nos pedestres. É o descaso da indiferença humana. Onde vamos parar? Fico pensando. Qual será o destino dos destinados a ficarem com essa indiferença coletiva? Em qual planeta serão exilados desta vez?

E falando em exílio, as coisas não andam muito bem em um meio de hospedagem paulistano, lembram do post publicado em dezembro Ele foi despedido. A causa? não entrou no esquema! Pois é, seis meses depois, a coisa piorou bastante e o mercado está comentando, o assunto saiu da esfera hoteleira e já chegou no nível dos fornecedores. Conversei com um deles que confirmou tudo. Sim, parece que estão cobrando uma “caixinha extra” para poder assinar novos contratos. Coisa feia!

Além disso, há indícios de racismo, pois um dos ex-colaboradores me confidenciou que o gerente mór do empreendimento pediu para ele despedir um de seus executivos apenas por ele ser afro-descendente. “E não é só isso, se ele (o gerente) invocasse com algo em uma pessoa, tipo o nariz ou outro setor anatômico, ele simplesmente virava e dizia, manda embora!”. Triste, muito triste, ai que dó que me dá!

Outro assunto que também incomoda é o super-faturamento. Um dos ex-colaboradores da área administrativa disse que houve um aumento de mais de 50% sobre a previsão de gasto do orçamento inicial. Além do assédio moral – leia no post antigo – e da corrupção que parece ser algo natural na vida de dois ou três executivos desse meio de hospedagem, é a total falta de competência para gerenciar o empreendimento. O break even é muito alto e não sabemos até quando o hotel conseguirá se manter. Só se tiver um banco por trás.

Uma coisa é certa, o atual gerente geral já passou pela implantação de um ex-futuro hotel de luxo no Nordeste. O rombo dizem que foi tanto, que até hoje não abriu, os investidores desistiram pois não conseguem ver uma luz no final do túnel, pois não há meios em recuperar o que foi gasto. Agora, me expliquem uma coisinha: como é que um executivo desses consegue ser contratado e continuar no mercado? Será que há algo de podre no reino de…? Fui, com votos de uma excelente semana com feriado na quinta! Abraços!


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