Arquivo de Julho, 2009

Dar tiro no pé é fácil, difícil é fazer o curativo!

Isso que dá ser otimista. Quando vemos algo errado ou denegrido, ficamos chateados. Dizem que é melhor é ser pessimista pois se a coisa dá errado, a expectativa foi alcançada e se der certo, ela foi ultrapassada. Nesta semana dois hoteleiros de Estados diferentes me contataram – Eduardo Camps, proprietário do Panamby, em Guarulhos e Gilles Grinberg, gerente geral do Deville Rayon, em Curitiba -, para falar do mesmo assunto: hotéis que ainda continuam reduzindo tarifas pensando que podem melhorar a ocupação.

Há quase uma década quando o boom hoteleiro ocorreu, era possível ver faixas em frentes aos hotéis com o valor de suas diárias escancaradas para o mundo. Até parece que o hóspede estaria por ali, de carro procurando um hotel.
- Olha querido, achamos! Um hotel baratinho!
- Doutor, olha só aquele hotel, vamos ficar ali?
- Cristina, por favor faça uma reserva imediatamente no hotel X, estou em frente e parece que o preço é bom!
Ora, por favor! Pensávamos como um meio de hospedagem poderia permanecer aberto praticando aqueles preços.
- É dar um tiro no próprio pé, pois com tarifas baixas não se pode investir no produto, se algo quebrar não será possível consertar, como fazer para renovar o enxoval? Como capacitar os colaboradores ou criar um plano de carreira para eles? Como manter o nível dos serviços oferecidos e, principalmente, como melhorá-los?

Depois, quando muitos hotéis fecharam, colocaram a culpa nas grandes redes.
- É, agora a cidade está cheia de hotéis novos praticando tarifas competitivas, meu amigo fechou um hotel lá na região central, não conseguiu aguentar a pressão.

Outro no bairro dos Jardins, pertinho da avenida Paulista também bateu as botas, fechou as portas. Durante vários anos nunca reformou, renovou, melhorou ou se preocupou em aprimorar o nível de seu staff, nunca quis trocar as TVs, nem a louça do banheiro, muito menos as torneiras. O queijo oferecido no café da manhã era da mesma marca havia anos, o pãozinho comprado na padaria da esquina era o mesmo. O uniforme do garçom – seu Mário – idem, foi branco um dia e já estava meio cinza, o sapatinho velho número 39 era um Vulcabrás, tadinho do seu Mário, se aposentou e está vendo o programa da Ana, de pijama, todos os dias. Ainda não entende o que aconteceu, por que o hotel teve que fechar?

Do outro lado da avenida, o Sr. Silva investiu 80% dos lucros em reformas, transformou o hotel e manteve sua equipe sempre capacitada. Trocou as janelas, portas, depois o piso, renovou os banheiros, trocou os colchões, substituiu lustres, arandelas, aparelhos de ar e TVs, comprou rádios-CDs-relógio, mudou o cardápio, trouxe uma nutricionista para fazer uma consultoria, viajou todos os dias pela internet buscando novidades e formas que outros hoteleiros operavam, ouviu muito seus hóspedes que viajavam constantemente e também contavam o que mais gostavam dos outros hotéis que conheciam nas viagens de negócios. Hoje ele está lá na cesta competitiva dos hotéis de rede e é um exemplo. Várias operadoras já sobrevoaram sobre ele querendo fincar suas bandeiras.
 
- Prefiro trabalhar sem marca mas com minhas marcas estampadas em todo o hotel. Trabalhamos em equipe, quase como uma família e estamos sempre tentando melhorar o serviço. Ao invés de trocar o carro por um do ano ou comprar casa na praia, o que acho uma estupidez enorme, preferi investir no negócio. Logo, logo poderei realizar um sonho antigo. Dar a volta no mundo e conhecer os melhores hotéis de todos os continentes! Já estou pensando na segunda unidade…

Uma pequena parcela da população utiliza a inteligência plena na tomada de decisões ou no desenvolvimento de novos negócios. Quase tudo é movimentado por impulso, inércia e o pior, copiando outros e se baseando em colocações feitas por amigos que também não entendem nada de nada… A vida não precisa ser assim, basta saber fazer a coisa certa não se importando com o que os outros pensam, aliás o pensar deve ser sempre com o coração, pois assim as intuições baseadas nos cases de sucesso são os exemplos que estão aí para qualquer um, é só googlear!

Ótima semana para todos e vamos torcer para que a reunião dos hoteleiros em Salvador seja um sucesso! Fui….

Em tempo: o acidente com o Felipe ontem em razão de um desprendimento de uma peça do carro do Rubinho e o outro ocorrido no dia 19 que matou o piloto da F2, Henry Surtees, depois que a roda de um outro carro bateu em sua cabeça, são um alerta para que as estruturas dos capacetes sejam repensadas e por que não proteger os pilotos com uma bolha plástica sobre os cockpits?

Bombas que estão nas pontas das canetas

As explosões das bombas nos dois hotéis da rede Marriott em Jacarta, na Indonésia, são atos covardes que visam criar o pânico nas pessoas. Depois de assistir Zeitgeist acredito cada vez menos no que dizem em relação aos terroristas. É engraçado que “eles” sempre ataquem pontos como discotecas, hotéis, trens e outros lugares onde transitam ou se divertem pessoas que não têm nada a ver com o assunto.

Eu nunca tive ímpetos terroristas e não acredito que a violência possa resolver qualquer tipo de assunto, porém se eu participasse como estrategista com certeza escolheria outros alvos. Iria direto na questão. De outro lado, com tanto poder e tecnologia que os EUA possuem é ridiculamente incompreensível como que eles não conseguem “achar” os terroristas.

Para quem ainda não assitiu o filme acima referido, nele o terrorismo é tratado de forma óbvia e clara: é uma ação conjunta de alguns governos que precisam se alimentar com a venda de armas, e para comercializá-las fica muito mais fácil prover o medo e a insegurança, assim pobres terráqueos acreditam que possam se defender de ataques dormindo com suas pistolas sob seus travesseiros. Outra forma para vender mais mísseis, granadas, bombas, fuzis e outros equipamentos inventados pela “turma do mal” é fabricar guerras por aí.

Imagine se Israel e a Palestina parassem de vez com a guerra. Para nós, cidadãos do bem, será lindo e maravilhoso mas, e para aqueles que vivem disso? Iriam parar de ganhar bilhões. Para se limpar o Tietê é preciso primeiro parar de jogar detritos nele. Para se obter a paz é preciso parar de fabricar armas.

Enquanto isso no Brasil, precisamente na linda Amazônia, o governo do estado quer regularizar os hotéis de selva. Primeiro deseja mudar a nomenclatura para Hotéis de Floresta e em segundo quer, por meio de um decreto unilateral criar normas para os empreendimentos, tudo baseado em alguns escritos da ABIH-AM. Por exemplo, uma das cláusulas do documento apresentado recentemente à Associação de Hotéis de Selva da Amazônia Brasileira (AHSAB), requer que todos necessitam ter energia elétrica. Como é que pode? Já perguntaram para os hóspedes o que eles preferem? Verificaram se as condições de sustentabilidade permitem tal condição? Tenho certeza que a AHSAB apresentará o decreto certo e que o governo amazonense concordará com o que os empresários donos de hotéis de selva disserem, afinal eles são os hoteleiros! Mas, e o governo? Ah, esse não entende nada de turismo, porque se entendesse, com certeza, esse país seria muito, mas muito, muito diferente mesmo! Fui!

Brasileiros, às armas!

É comum mudarmos de opinião sobre determinados assuntos durante a nossa vida. Bandas de rock se transformam (às vezes) em grande orquestras tocando Bach ou Mozart – meu velho e bom Frank Zappa nunca sai do carrossel da minha jukebox, principalmente o último CD dele, Yellow Shark, com o Emsemble Modern, um exemplo vanguardista de seu estilo musical clássico que ainda será muito mais valorizado – ou os tons do Tom, nem as palavras do Chico, os poemas de Caetano ou rebolados do Gil.

Lembro bem quando o Lula em um de seus primeiros discursos no exterior falou em português e houve uma imediata comparação ao estilo diplomático do poliglota FHC.
- Nosso presidente não sabe falar inglês!
- É uma vergonha mesmo! Essa não!
Hoje valorizo em meu âmago nacional nossa língua e respondo para mim:
- Que se danem! Eles que aprendam o português!
Por que nós temos que nos ajoelhar aos imperadores dos chás e agora dos bourbons? Imperadores que estão deixando de ser tão importantes neste final de ciclo cósmico.

Desde a época que eu dava voltas no quarteirão com minha Caloi dobrável ano e modelo 1972 em ouvia dizer que o Brasil será o país do futuro, será que estamos perto desse presente?

Há algum tempo tenho tido um certo nojo em ler o caderno de Turismo do Estadão. Na última terça, a grandiosa capa valorizava exageradamente a Jordânia. Procurei imediatamente as chamadas no alto da primeira página para ver se havia algo brasileiro nos destaques e nada enobreceu meu brasileirismo. Por que se dá tanta importância aos destinos internacionais? Quanto que esse caderno ganha para divulgar outros países? Por que não divulgar a maravilhosa Amazônia ou os Lencóis, a Chapada Diamantina ou dos Guimarães e Veadeiros? Foz de Iguaçu, as cavernas do Petar, o cânion gaúcho, as maravilhas de Petrópolis, Itaúna, Abrolhos, rio São Francisco, Mangue Seco, Bonito, Pantanal, Jericoacoaquara, as dunas de Natal, o chique de Búzios, a europa de Curitiba, a história de Ouro Preto, os caminhos mágicos de Visconde de Mauá, os cenários de Agulhas Negras, as imagens rupestres de Sergipe, as maravilhas de Floripa, os encantos das maravilhas naturais (e não materiais) deste país magnífico!

Outra coisa que me deixa pdavida é esse consultor turístico do jornal, o tal Mr. Miles, com chapéu coco e bengalinha londrina. Ele que pegue o avião e se mande de uma vez!

Brasileiros, às armas! Saquem seus cartões de crédito, engatilhem os www dos sites de turismo, avancem sobre as agências e operadoras e ataquem as jóias que a mãe-terra nos favoreceu! Cintilem em direção da magia brasileira e descubram o real motivo em terem escolhido este país para nascer! E depois que tiverem conhecido o Brasil por completo, saiam e divulguem, com muito orgulho, nosso solo e suas atrações aos quatro cantos do mundo! Boa semana!

Os pequenos diretores de empresas extra grandes

A mulher de um amigo foi despedida de uma grande operadora na semana passada após dez anos de serviços prestados. Quando a colaboradora foi chamada pelo DP para ser comunicada de sua saída, ela, normalmente, indagou:
- Mas o que aconteceu, por que estou sendo mandada embora?
- Desculpe mas estou aqui somente para lhe comunicar, não sei os motivos, respondeu o algoz funcionário.
Junto com ela foram demitidos cerca de duas dúzias de outros colaboradores, todos na sua maioria com muitos anos de dedicação na empresa, 15, 20 anos…
- Se ao menos soubesse o motivo, estaria satisfeita!
Grande engano. Todos saíram sem saber os motivos, sem nenhuma satisfação ou agradecimento.

Muito triste esta atitude feudal e de empresa que não dá a mínima para seus colaboradores e muito menos para os hotéis que vende, aos destinos que atende de forma predatória e sem a mínima preocupação com a sustentabilidade. O que custaria um dos diretores vir falar, agradecer e explicar que a empresa está se restruturando?

Falando em atitude, sexta-feira às 20h30 resolvi fazer as compras da semana no hipermercado Extra da Marginal Pinheiros – ah que saudades da época do Paes Mendonça! Depois de 50 minutos de tira-da-prateleira-põe-no-carrinho-e-risca-o-item-da-lista, fui pra fila em terceiro lugar. O casal que estava passando suas compras parecia estar sozinho no local, ele tirava um item de cada vez e entregava para o caixa, depois, coçava a cabeça, falava algo para a mulher e lentamente pegava outra mercadoria, depois de 15 minutos, perdi a paciência e falei pro cidadão:
- Será que não dá para para você ir pouquinho mais rápido?
- Você tem que aprender a esperar! Eu quando estou na fila, espero!
- Você deveria morar numa ilha sozinho pois não tem respeito pelos outros. Acha que está sozinho? Não pode ser normal e passar suas compras em uma velocidade aceitável?
Depois de uns vá-va-vás e caras feias em ambas direções, reparei que apenas 30% dos caixas estavam operando. Sem dúvida, fui em busca do gerente.
- Por que existem poucos caixas?
- Realmente nesta noite faltaram alguns funcionários, pedimos desculpas pelo incoveniente, me respondeu a gerente.
- E por que não há empacotadores?
- Eles trabalham apenas até as 21h.

Os hipermercados estão parecendo bancos, você paga para eles guardarem seu dinheiro e você é quem faz tudo. Entra na internet, paga as contas ou vai no caixa eletrônico para fazer a mesma coisa. Nos caixas, apenas três gatos pingados que trabalham mais ou menos, como se lhe fizessem o favor em atender a sua pessoa. Cansei do Extra, mesmo sendo da mesma empresa, prefiro ir no Pão de Açúcar, não me importo em pagar um pouco mais e ter um atendimento de acordo com minha expectativa.

Alguns hóspedes têm o mesmo pensamento. Preferem pagar mais e ter suas expectativas no mínimo atendidas. Emiliano, Fasano e outros hotéis-boutique atuam assim e vivem lotados. De outro lado, os econômicos – não estou fazendo uma comparação com o caso Extra – não prometem nada além de um bom atendimento. Isso é o mínimo exigido. O hipermercado do Morumbi em questão é um popularzão, mesmo que 85% de seus clientes sejam da classe média.

Confesso que, quando nos acostumamos com o conforto (ainda mais quando estamos passando pelo cabo da boa esperança), fica dífícil aceitarmos qualquer coisa. Mas, vai aí uma dica, reclamem, exijam seus direitos e procurem sempre aprimorar tudo. Assim, a vida melhora para todos! Boas semana e votos de um bom feriado na quinta-feira!


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