Arquivo de Janeiro 31st, 2010

Investidores da hotelaria precisam de formação

Na última sexta-feira bati um bom papo com o José Mário Espíndola, gerente do Deville Salvador. Dois dias antes foi com o Jairo de Carvalho Filho, comandante do Real Classic Hotel, em Aracaju. Nas conversas, os dois citaram algo sobre investimentos e investidores, que isso ou aquilo, etc e tal. No bate-papo com o José Mário, a lampadinha acendeu sobre minha cabeça cabeluda. Por que não se cria uma universidade para o investidor hoteleiro?

Quando o Mc Donald’s chegou ao Brasil nos anos 80, todos os investidores tinham que ir para a Universidade Mc Donald’s lá nos Estados Unidos. Aprendiam como fazer, liderar e obter sucesso com suas lojas.

Até hoje, pelo que sei, nada foi criado para melhorar o relacionamento dos investidores com os operadores hoteleiros e falando em operadores, o Fohb – Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil bem que poderia criar um curso para abrir a cabeça de alguns investidores que só pensam em sugar os lucros e reverter algo apenas quando o barco está afundando (sem salva-vidas).

Uma das maiores redes do país bem que tenta convencer os investidores de suas unidades mais antigas a meter a mão no bolso e reformar os empreendimentos, mas eles se recusam. Fazem isso porque já se acostumaram a utilizar as algumas centenas de Reais que recebem todo mês. Não conseguem ver “mais pra frente”, precisam ser imediatistas e viver o hoje. Aliás, esse é um mal da sociedade brasileira. Bom, e o que acontece com os flats cujos investidores teimam em deixar seus produtos defasados? Ficam sem motor, sem bússola, a rede deixa de administrar porque não pode justificar a permanência de um hotel velho em seu portfólio. Aí, esses flats viram residenciais e o resto da história vocês já sabem.

Lembro que no boom hoteleiro que começou há dez anos, motivado pela ganância desenfreada das construtoras que descobriram uma mina de ouro, lançando flats de última geração e vendendo aos milhares de investidores de primeira viagem com promessas de um rendimento mal orçado. O brasileiro é “meio” ingênuo, acredita no que falam e depois se dá mal. Lembram do carrinho russo da Lada, foi o primeiro que chegou, vendeu milhares de unidades e depois… Essa história vocês também conhecem: depois de dois anos não haviam mais peças para reposição.

Um dos hotéis/flats lançados em 2000 já rendia aos seus investidores assim que assinavam o contrato de compra, durante a construção recebiam (de volta) uma pequena percentagem do valor investido. Milagre do Santo Flatiano? Que nada, apenas uma estratégia financeira e de marketing.

Muitos investidores ganharam muito com suas unidades, QI, Brooklin, entre outros rendiam um bom retorno de investimento (Roi) para eles. No caso do primeiro, nada era re-aplicado no próprio empreendimento, deixando-o na mingua. Má fé? Nada disso, falta de informação, explicação. Por isso, hoteleiros e operadores, criem uma Universidade para Investidores Hoteleiros e aprimorem o mercado. É educando que todos avançam. Aliás, quem é que não precisa de capacitação sempre? Fui, com votos de um fevereiro pleno de alegrias e bons negócios! Aho!


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