Arquivo de Fevereiro, 2010

Onde estaciono minha carroça de cigano?

Hoje liguei para minha mãe, que vive cinco meses do ano em Teerã, no Irã e o resto dos 365 dias ela mora aqui em São Paulo. Vou contar um pouco sobre minha vida para que entendam minha ascendência. Meus avós paternos nasceram na Rússia, ele (Matzvei ou Matheus) em 1892 e ela (a babo* Rosa) em 1899, os dois já estão em outras paragens desde 1983 e 1987, respectivamente.

Bom, a ascendência deles era basicamente armênia – minha avó dizia que havia algum parente judeu, mas não posso provar isso. Pois bem, em 1923, eles meio que fugiram (da revolução) para o Iraque – alguns familiares foram direto para Teerã. Meu pai acabou nascendo em Bagdá e, um par de anos depois, eles também foram para a capital (naquela época) da Pérsia. Em 1953, com receio dos acontecimentos no país, eles vieram para o Brasil e fincaram suas novas raízes em São Paulo. Meu pai nos deixou em 2006… Saudades!

Já meus avós maternos têm uma história tão interessante quanto. Minha avó (Armen) foi nascida em Teerã, com ascendência armênia, e meu avô (Antonio) na antiga Iuguslávia, com pais de origem tcheca e italiana. Ele era engenheiro de estradas e adorava viajar, acabou passando por Teerã, conheceu a bela Armen, se apaixonaram, casaram e tiveram cinco lindos filhos: Maria, Ida (minha mãe), Diana, Robert e Helena. Em 1954, resolveram vir para terras tupininquins, desceram no porto de Santos, subiram a serra e também se instalaram em Sampa, em um sobrado na avenida Miruna, que ainda existe. O vô Antonio nos deixou em 1985 e a babo Armen em 1999.

Pelo que sei então, 3/4 do sangue que corre nas minhas veias é armênio, o resto divide-se em tcheco, iuguslavo e italiano. Pois é, sou quase cigano! Às vezes brinco com os conhecidos que encontro por aí e que me perguntam sobre a história que acabei de contar… Pois é, vocês não viram uma carroça de cigano aí fora? É minha!

Fico imaginando de quantos povos já fiz parte durante a minha existência de mais de dez mil anos neste lindo planeta: devo ter sido quase de tudo: índio, aborígene, hindu, árabe, judeu, francês, inglês, argentino, africano, português, espanhol, italiano, holandês, alemão… Creio que todas essas “vidas” são tão latentes que por isso não consiga segregar nenhuma dessas raças, na verdade como o velho Yuri dizia quando perguntavam qual era a origem dele:
- Sou terráqueo! E dava risada! O mais engraçado é que a maioria das pessoas não entendia e eu… Ficava rindo “por dentro”.

Desejo que as pessoas desse planeta possam viver em paz com todos, que não façam guerra, não se odeiem, não julguem, vivam sem prenconceitos, que olhem para o coração de cada um e sintam o verdadeiro ser que existe dentro de cada um de nós! Boa semana a todos! Aho!

* Babo = diminutivo de babushka, que quer dizer avó em russo.

O que é desenvolvimento para você?

Tenho escutado, desde que aprendi a encaixar as pecinhas de lego e brincar de “cidade” no tapete da casa dos meus pais, que o desenvolvimento é algo “de bom” para a raça humana, que o petróleo isso, que as fábricas aquilo, as mineradoras assim, o consumo, a inflação, o superávit, a macro-economia, etc, etc…

Mas o que os governantes dos países têm feito desde o final do século XIX? Poluiram rios e mares, devastaram florestas, perfuraram o solo da mãe terra em busca de riquezas profanas e estupídas. Tudo baseado em uma filosofia de consumo exagerado e de uma necessidade latente em ter milhões de dinheiros, apenas por ter e nem ao menos saber para que utilizar. Não há problema em ter carros esportivos, computadores de última geração ou outros gadgets, ou até roupas de marca, mas lembro muito bem do que o avô do Pirani dizia: tudo que é demais vira esterco.

O momento para mudarmos a atitude está chegando e, em breve, uma nova filosofia será implantada no planeta, nossos chakras se multiplicarão e estaremos conectados de uma maneira nunca antes vista com a energia do cosmos. A mensagem será dada para todos e o livre arbítrio será aplicado por cada um, de seu jeito.

Estamos todos de uma maneira na linha da evolução, todos possuem o seu momento. Devemos saber respeitar isso, não podemos julgar e nem ter preconceitos contra ninguém. Uma das dicas que tenho recebido (há um bom tempo) é saber perdoar e seguir adiante. Às vezes caímos em armadilhas e damos importância para detalhes tão insignificantes, que não merecem atenção, e que nos tiram do nosso caminho. Outra dica é seguir o coração para saber escolher os caminhos das nossas vidas. Siga adiante! Com muita paz e alegria no seu coração. Deixe o que não importa para trás e vá em frente, desenvolva-se! Uma ótima semana para você! Aho!

A grande chance do Brasil é agora!

Ainda não escrevi profundamente sobre os próximos eventos que o Brasil vai sediar nos próximos anos, a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio. Para falar a verdade, eu nunca acreditei que conseguiríamos sediar os jogos. Minhas equivocadas previsões foram baseadas na história, pois nunca um mesmo país tenha conseguido organizar os dois eventos um seguida do outro.

Bom, tudo está certo e o destino quis que o nosso país se colocasse sob os holofotes mundiais. A bola da vez é nossa. Temos inclusive a chance de reverter a desgraça da Copa de 50, quando perdemos o título em pleno Maracanã. Tomara que a final seja contra o Uruguai e que a seleção jogue como na conquista do Tri – a melhor campanha realizada até hoje.

De outro lado, esperamos que todos os Estados que participam do campeonato mundial de futebol façam sua parte, aliados ao governo federal, que deve realizar as obras necessárias para para colocar, de vez, o Brasil no roteiro internacional do turismo. Precisamos de melhorias nas estradas, ruas e nos demais complexos viários, necessitamos de mais metrô nas capitais, mais asfalto e menos buracos, mais ações e menos acessos da corrupção insana e desmedida, sem vergonha e caluniosa.

Precisamos de mais patriotas que realizem projetos normalmente faturados, queremos mais desempenho, mais projetos, mais comprometimento e da visão decadiana e não apenas quatriana. Estamos cansados de ver a maioria dos políticos brincar de Banco Imobiliário, em prol de suas fictícias e imaginárias poupanças cabeludas para simplesmente se lograrem com a ilusória sensação de um poder que mingua no primeiro espirro cancerígeno logrado em suas veias cujo sangue vale menos do que o quilo do queijo ralado mais vagabundo existente no supermercado varzeano.

A chance do Brasil é agora. O Rio de Janeiro é uma das cidades mais bonitas do mundo e precisa recuperar o tempo perdido implantado no governo brizolista, que fez o pacto corrupto entre o narcotráfico existente nas comunidades mais carentes com a gloriosa e fictícia classe jurista da avenida Atlântica.

É hora de começar a limpar as ruas das sujeiras impostas pelas classes que se escondem por trás da sociedade que se julga pertencer na média. É hora de unirmos e batermos com orgulho em nosso peito e gritar: sou brasileiro! Quero e exijo uma vida mais digna! É hora de assumir a verdade e parar de achar que a vida é ganha com preguiça e descaso.

Nós brasileiros somos o povo que consegue o que quer, é um dos mais criativos do mundo, hospitaleiros por natureza. É preciso apenas jogar o lado Gerson de lado e querer trabalhar de verdade. Sem as bolsas que são na verdade as antigas formas de se ganhar voto. Quero ver a felicidade brotar das sementes plantadas pela garra e seriedade. Vamos à luta! Aho!

Argentinos, corintianos e outros times

Mais uma viagem à Argentina, desta vez para conhecer Mendoza, uma das duas capitais do vinho da América do Sul – a outra é Santiago, no Chile, que também produz excelentes rótulos. Fantástica a região, de uma beleza natural indescritível, com a cordilheira e suas montanhas com neve permanente, o clima árido, vinhedos mil, assim como a variedade de pedras para nenhum colecionador botar defeito. Aliás, tem uma bodega lá que produz a marca Mil Piedras e só andando pelo deserto para entendermos a razão deste nome.

Bom, escrevo hoje, com atraso de um dia, para mencionar as richas entre os brasileiros e argentinos, torcedores de times versus corintianos e outras babaquices entre os seres humanos. Todas as vezes que estive no país dos hermanos não senti nenhum tipo de richa, é óbvio que existe uma certa “inveja” por parte deles em relação as nossas pentaconquistas, mas isso é normal. Sinto mais ação do nosso lado do que da parte deles. Sempre fui muito bem recebido na Argentina e meu objetivo sempre será o de unificar os destinos e promover o que há de melhor entre os dois países, o resultado será sempre benéfico para todos. O fato é que os turistas oriundos de terras mais distantes programam conhecer Buenos Aires e Rio de Janeiro na mesma viagem, por isso as duas cidades deveriam criar um elo turístico mais forte.

Falando de richas, ontem estivemos na deliciosa confraternização para comemorar os 70 anos da querida Asnif. Numa das rodas de conversa entre primos, um dos temas era futebol, que o Santos isso, que o São Paulo aquilo, bláblábliblábláblá, que o Corinthians tem que perder, até que o Jacó, que torce para o Santos, soltou essa pra mim:
- Às vezes fico mais satisfeito quando o Corinthians perde do que o Santos ganha!
- Você deve estar brincando, retruquei.
- Que nada, detesto o Corinthians e quero que eles percam sempre.
Corinthians isso, corinthians aquilo, falei pra ele:
- Você me faz lembrar as pessoas que fazem piadas sobre os homosexuais.
- Por quê?
- Porque tem gente que diz que odeia os gays e sempre fica falando deles. Na minha opinião eles têm o desejo escondido por essa preferência sexual e têm medo. Você é a mesma coisa, acho que você deveria ser corintiano.

O negócio é entrar no clima e fazer piada da piada que fazem conosco. Sou sanpaulino e sempre que os manés vêm dizer que somos bibas digo o seguinte:
- Não falem mal do São Paulo, porque nosso estádio é uma atração turística, em Buenos Aires tem a bomboneira e em Sampa, a bambineira!

Entre bambis, corintianos, palmeirenses, santistas, sanpaulinos e argentinos, todos têm algo em comum, somos todos feitos da mesma célula e todos estamos no mesmo planeta. O ideal seria falar sempre de assuntos produtivos, culturais e econômicos, pois assim poderíamos avançar, evoluir. Nenhum time de futebol paga nossas contas, certo? Boa semana para todos! Aho!


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