Onde estaciono minha carroça de cigano?

Hoje liguei para minha mãe, que vive cinco meses do ano em Teerã, no Irã e o resto dos 365 dias ela mora aqui em São Paulo. Vou contar um pouco sobre minha vida para que entendam minha ascendência. Meus avós paternos nasceram na Rússia, ele (Matzvei ou Matheus) em 1892 e ela (a babo* Rosa) em 1899, os dois já estão em outras paragens desde 1983 e 1987, respectivamente.

Bom, a ascendência deles era basicamente armênia – minha avó dizia que havia algum parente judeu, mas não posso provar isso. Pois bem, em 1923, eles meio que fugiram (da revolução) para o Iraque – alguns familiares foram direto para Teerã. Meu pai acabou nascendo em Bagdá e, um par de anos depois, eles também foram para a capital (naquela época) da Pérsia. Em 1953, com receio dos acontecimentos no país, eles vieram para o Brasil e fincaram suas novas raízes em São Paulo. Meu pai nos deixou em 2006… Saudades!

Já meus avós maternos têm uma história tão interessante quanto. Minha avó (Armen) foi nascida em Teerã, com ascendência armênia, e meu avô (Antonio) na antiga Iuguslávia, com pais de origem tcheca e italiana. Ele era engenheiro de estradas e adorava viajar, acabou passando por Teerã, conheceu a bela Armen, se apaixonaram, casaram e tiveram cinco lindos filhos: Maria, Ida (minha mãe), Diana, Robert e Helena. Em 1954, resolveram vir para terras tupininquins, desceram no porto de Santos, subiram a serra e também se instalaram em Sampa, em um sobrado na avenida Miruna, que ainda existe. O vô Antonio nos deixou em 1985 e a babo Armen em 1999.

Pelo que sei então, 3/4 do sangue que corre nas minhas veias é armênio, o resto divide-se em tcheco, iuguslavo e italiano. Pois é, sou quase cigano! Às vezes brinco com os conhecidos que encontro por aí e que me perguntam sobre a história que acabei de contar… Pois é, vocês não viram uma carroça de cigano aí fora? É minha!

Fico imaginando de quantos povos já fiz parte durante a minha existência de mais de dez mil anos neste lindo planeta: devo ter sido quase de tudo: índio, aborígene, hindu, árabe, judeu, francês, inglês, argentino, africano, português, espanhol, italiano, holandês, alemão… Creio que todas essas “vidas” são tão latentes que por isso não consiga segregar nenhuma dessas raças, na verdade como o velho Yuri dizia quando perguntavam qual era a origem dele:
- Sou terráqueo! E dava risada! O mais engraçado é que a maioria das pessoas não entendia e eu… Ficava rindo “por dentro”.

Desejo que as pessoas desse planeta possam viver em paz com todos, que não façam guerra, não se odeiem, não julguem, vivam sem prenconceitos, que olhem para o coração de cada um e sintam o verdadeiro ser que existe dentro de cada um de nós! Boa semana a todos! Aho!

* Babo = diminutivo de babushka, que quer dizer avó em russo.

8 Respostas to “Onde estaciono minha carroça de cigano?”


  1. 1 Giulia Ciavatta 28, 02, 2010 ás 11:23 pm

    =) post com gostinho de saudades!

  2. 2 Marcia 02, 03, 2010 ás 4:59 pm

    É…saudades e gratidão!

  3. 3 Cinthia 02, 03, 2010 ás 6:28 pm

    É NINGUÉM PODE DIZER QUE VC NÃO TEM HISTÓRIA PARA CONTAR RSRSS..

  4. 4 Cinthia 02, 03, 2010 ás 6:30 pm

    Gosto muito dos seus comentários no blog..

  5. 5 Robert 03, 03, 2010 ás 5:06 pm

    Um belo resumo. Sob esse prisma que bom ser cigano. Quanto mais ensinamos, mais aprendemos. Compartilhando conhecimento, evoluímos…… alem das futilidades da vida, por isso, estamos aqui em busca de nos aperfeiçoarmos. ………………..

  6. 6 Mah 05, 03, 2010 ás 7:13 pm

    Vish, tanta história pra contar dessa família de hippies, ciganos, ocidentais, orientais, extraterrestres… Acho que temos um tanto de tudo, hehe!

  7. 7 Solange 07, 03, 2010 ás 10:11 pm

    É isso Peter, somos seres assim mesmo: imortais e maravilhosos, andando com nossas carruagens…
    Que beleza a vida de terráqueo que temos, heim? Um brinde ao respeito!
    beijão

  8. 8 Samuel Kruchin 11, 03, 2010 ás 8:45 am

    Amigo Peter,

    São todas essas vivências que fazem você “cigano”
    tão especial.

    Não é a toa que é um hoteleiro…

    Grande abraço,

    Samuel Kruchin


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