Arquivo de Março, 2010

O caso do apartamento 203 – Parte 2

Herbert já havia passado por vários hotéis e acumulava em seu currículo boas atuações, aprovadas pelos investidores ou proprietários dos empreendimentos em que trabalhara. Começou na controladoria como auxiliar de contas à pagar, terminou o curso de Economia e fez, em seguida, a pós em Hotelaria. Nunca parou de estudar, fez cursos livres e de especialização, lendo muito e pesquisando nas horas vagas.

Mas, como nada é perfeito nesta vida, Herbert não podia ver um rabo de saia ou, melhor, uma arrumadeira curvada sob a cama. A visão mexia com ele, a batida do coração aumentava e suas mãos começavam a suar. Das duas uma, ou ele saía do ambiente em que estava ou ficava realmente descontrolado.

A doença apareceu quando ainda era um funcionário administrativo. A controladoria ficava em frente à governança e o vai-e-vêm das arrumadeiras muitas vezes deixava-o louco. Começou terapia, mas na primeira sessão não conseguiu se abrir à doutora, ficou com medo e nunca mais voltou. Em casa Herbert sempre foi normal e seus familiares nunca desconfiaram de nada.

O primeiro “ato” de Herbert aconteceu durante sua primeira gerência, por sorte (ou azar) a arrumadeira assediada ficou quieta, não abriu o bico. Outras pediram demissão e nunca um processo por assédio foi aberto, deixando Herbert confortável para seguir com sua loucura.

Assim que Zilda choca-se com Amarildo e cai para trás tonta, quase desmaiada, Herbert a puxa para dentro da UH e fecha a porta. Lá fora no corredor o curioso Amarildo quase urra de dor. Marcos chega e vai logo perguntando:
- O que você tava fazendo, escutando atrás da porta, o que aconteceu, que sangue é esse?
Ouvindo atrás da porta, Herbert logo aparece e com a mão na cabeça diz:
- Que loucura é essa? Fui sair do apartamento e dei de cabeça nesse garçom! Leve-o imediatamente ao RH para fazer um curativo e depois apure o ocorrido. E avise o room service para levar essa bandeja ao apartamento correto!
- Sim senhor Herbert! Vamos Amarildo, ma acompanhe!

Assim que saiem, Herbert entra no apartamento e verifica o estado de Zilda;
- Tudo bem garota? Tá vendo o que dá sair correndo sem pensar?
- Ai, que dor de cabeça! É tudo culpa do senhor!
- De jeito nenhum, você é que a culpada! Vem cá…
- Para seu Herbert…
Não houve como falar mais nada, o gerente geral força o beijo e ela não tem mais ímpetos para resistir e cede. Ele a carrega para a cama e arranca seu uniforme. Minutos depois, antes de sair pela porta ele diz:
- Não esqueça de arrumar o apartamento e não abra o bico!

Assim que ele sai, Zilda pega o telefone e disca para a governança. Por sorte, dona Helena atende. Ela explica o ocorrido rapidamente e diz não saber o que fazer. A governanta que já era bastante experiente diz:
- Fique calma Zilda, você não foi a primeira arrumadeira a ser estuprada por um gerente geral. Sei de casos que te deixariam de cabelo em pé. Arrume o apartamento, tome um banho, desça aqui e não comente nada com ninguém, ouviu?

Depois de tentar lavar a alma, Zilda desce – a segurança não vê ela saindo do apartamento – e vai à sala de dona Helena, senta e conta todos os detalhes. Elas conversam e decidem armar um plano para pegar Herbert. Helena liga de seu celular para o chefe da segurança. Um encontro no dia seguinte pela manhã é marcado…

Continua na semana que vem! Aho!

O caso do apartamento 203

São 15h35 na capital paulista, estamos no bairro dos Jardins. A cidade está menos agressiva, é segunda-feira e o trânsito nesse dia da semana é mais calmo. A câmera vai descendo até entrar no lobby do grande hotel. Passa pela porta que dá acesso ao back stage e vai zigue-zagueando pelo corredor, desce um lance das escadas e chega ao room service, no momento exato que Amarildo entra no elevador carregando uma bandeja. Vamos de carona. A porta abre e o garçom sai em direção do 211, ao passar pelo apartamento 203, escuta um grito de mulher vindo lá de dentro. Ele coloca devagar a bandeja no chão e encosta a cabeça na porta. Lá na segurança, Rafael aponta o monitor para seu companheiro Marcos, que sai da sala apressado.

Dentro do apartamento, o grito é abafado pelas mãos de Herbert, o recém-chegado gerente geral que, a qualquer custo, quer fazer uma “inspeção” mais detalhada nas qualidades da arrumadeira Zilda.
- Para com isso seu Herbert, o que o senhor pensa que sou?
- Se eu falar o que penso posso correr o risco de tomar um tapa! Pare você, que ainda vamos quebrar alguma coisa nesse apartamento. Vem cá…
Ele agarra a menina de vinte e poucos anos, que nas horas vagas é passista da escola de samba Rosas de Ouro, que fica entre o trabalho e sua casa, na Vila Nova Cachoeirinha.

Zilda é a filha mais velha do casal Jorge e Emiliana, tem mais três irmãos, todos homens e com a idade entre 21 e 17 anos. Todos trabalhadores honestos. O pai é motorista de uma empresa de receptivo e foi ele que conseguiu o emprego para ela. O pedido foi feito durante um trabalho de cortesia que fez para a chefe do departamento de recursos humanos.
- A senhora não consegue um emprego para minha filha Zilda aí no hotel? Olha pode ser de arrumadeira, quem sabe ela não se anima e faz até um curso ou uma faculdade? Ela é muito honesta e bem “apessoada”! Propõe Jorge enquanto espera a fila de carros entrar na 23 de maio. Na primeira vaga que surge Zilda participa da seleção e consegue o trabalho.
- Até que ela é esperta mesmo, acho que foi uma boa contratação dona Helena, comentou a supervisora Suzana com a governanta.

As coisas foram bem até a chegada, algumas semanas depois, do novo gerente geral, o tal do Herbert. O anterior era muito simpático e tratava muito bem todos os colaboradores do hotel, mas de alguma maneira parece que não agradava os investidores. Era o que rolava na Rádio Peão.
- É, parece mesmo que o seu Durval vai ser mandado embora, a coisa tava feia na reunião da noite passada. Ninguém tava de acordo com o orçamento apresentado por ele. Reclamaram que ele gasta muito em treinamento e nas reformas, comenta baixinho o assistente de eventos Marco com o Renilton, chefe da manutenção.
- Pois é meu amigo, pra você ver como esse mundo tá de cabeça pra baixo. O homem é gente boa, vamos ver quem virá no lugar dele, dizem que depois da bonança vem a tempestade…

Dito e feito, alguns dias depois o bom e velho Durval foi pro olho da rua, mas logo ele se recolocou, com a ajuda do consultor Márcio. Na hora da jantar, do dia em que o novo GG foi apresentado a todos na troca de turno da tarde, os comentários eram “nublados” entre a “turma do bem”. Já a “turma do pântano”, achou lindo ver o Durval ser mandado embora.
- Você viu a cara dele indo embora, quase chorou, tadinho! Disse rindo o segurança ao seu chapa da faxina.
- Bem feito, nunca gostei daquele mané, sempre rindo à toa e tratando todo mundo bem, puxa-saco!
No outro canto do refeitório, Marcelo e Roberta conversam:
- O que você achou dele?
- Não sei, ainda é cedo para julgar, mas minha intuição não foi das melhores, espero estar enganado.
- Pois é, ele me deu uma olhada de cima pra baixo, me “comeu” com os olhos.
- Vamos esperar e torcer para tudo ir bem…

Nem uma semana tinha se passado depois da grande mudança gerencial do hotel quando na tarde daquela segunda-feira, Zilda havia começado a arrumação do 203. Por ordem do novo GG, as arrumadeiras não podiam mais trabalhar com os carrinhos e sim com uma grande cesta na qual carregavam as peças de reposição, além disso as portas deveriam ficar fechadas durante o trabalho realizado dentro dos apartamentos. São 15h36 e ela escuta o barulho da chave sendo inserida na fechadura eletrônica. Nem dá tempo de pensar se é o hóspede ou alguém da governança.
- Olá Zilda, fala Herbert com um sorriso de “muitos bons amigos”.
- Senhor Herbert, posso ajudar? Diz, já arrependida pela pergunta.
- Ora, claro que pode, fala o GG, fechando e trancando a porta.
- Por favor deixe a porta aberta, seu Herbert!
Sem dizer nada, ele dá alguns passos em sua direção, segura seus braços e tenta beijá-la. Ela desvia um pouco sua boca da dele e grita. O Herbert, que talvez tenha pensado que ela não iria reagir, deixa-a escapar. Ela vai pro outro lado da cama e  após o pequeno diálogo que já lemos no começo do texto, pula em cima da cama e tenta agarrá-la. Ela tenta correr mas tropeça no aspirador e cai no chão. Ele monta em cima dela e começa a beijá-la de novo. Ela enfia a unha no rosto dele e dá um chute certeiro com o joelho nele, que cai para o lado. Ela se levanta, corre para a porta, abre-a e dá uma forte cabeçada em Amarildo, os dois caem no chão, ela pra dentro do quarto tonta e ele pro outro lado do corredor com o supercílio sangrando. Nenhum dos dois fica sabendo quem é quem. Gotas de sangue começam a manchar o carpete do corredor. Herbert puxa ela pra dentro do quarto e fecha a porta, no momento exato que o segurança entra no corredor…

Continuo ou não este conto-post-romance? Boa semana! Aho!

A melhor e a pior invenção do século XX

Dizem que a melhor invenção do século passado foi o computador seguido pela internet, ok um não viveria sem o outro (até a chegada dos smartphones), então podemos afirmar que a melhor invenção foi a internet. A grande rede unificou de vez a comunicação planetária, permitindo que qualquer assunto seja encontrado com um clique, nos faz encontrar pessoas que não víamos ha muito tempo. Paro por aqui pois senão a lista seria extensa.

Agora, o segmento que a internet mais mudou e continua mudando é a publicidade. Não existe nada no planeta que possibilite tamanha interatividade, mas isso é outra história…

E a pior invenção do século, qual é? Podem existir várias, mas com certeza um item, que está ligando diretamente com a internet,  está subindo no ranking das “coisas” mais odiadas neste mundo moderno: o e-mail.

- É terrível a quantidade de e-mails que recebemos todos os dias, se ficamos em reunião por um período muito longo ou viajamos, o acúmulo é tão grande que perdemos muito tempo para ler e responder, explica Daniela Pereira, diretora de Marketing & Vendas do InterContinental São Paulo.
- Ao mesmo tempo, é prático e cansativo. Estamos praticamente à mercê do e-mail, vivemos em função em receber e responder os correios eletrônicos, diz Adriano Araújo, gerente nacional de Vendas dos hotéis San Raphael.
- Eu não sei o que seria de nós sem e-mails, mas sei o que é tê-los no nosso dia-a-dia, ironiza Marcelo Pretti, gerente geral do InterCity João Pessoa.

Na minha opinião os e-mails pessoais são muito legais, pois não têm a pressão “business”. Podemos contatar pessoas queridas que estão distantes e “matar” as saudades um pouco, mas o Skype por exemplo é muito mais eficaz nesse sentido. É verdade que muitos negócios são fechados por e-mail, além de envios de declarações de amor, pedidos de perdão, piadas, besteiras e muuuuuitos spams. Deviam inventar um gerenciador de e-mails ferrenho, que permitisse organizar tudo facilmente…

Mas, como sempre digo que é melhor sempre ver o lado positivo de tudo, vamos em frente! Existem coisas que são verdadeiros atrasos de vida, mas o que seria da felicidade se não existisse a tristeza? Fui, com votos de uma boa semana e um parabéns especial ao Caio Luiz de Carvalho e ao prefeito Kassab por terem incluído mais um evento importante para o calendário de São Paulo. Os hotéis estão felizes com a ocupação da semana! Aho!

O CET continua fazendo das suas

A Companhia Errônea de Trânsito (CET) continua fazendo das suas, além de não completar projetos – pois é, a rua Califórnia ainda não teve as faixas pintadas no asfalto, os carros continuam parando em fila indiana e o pior: pode-se estacionar nos dois lados da rua. Engraçado porque na rua Arandu, que fica algumas quadras pra baixo da Califórnia e que tem muito meno trânsito, não se pode parar de um dos lados. Agora eu pergunto, qual é a lógica? Onde está o estudo realizado por essa companhia ridícula que só sabe multar?

O pior está para acontecer, pois os idiotas que se dizem engenheiros resolveram diminuir a velocidade de todas as faixas das marginais para 70 km/hora. Essa entidade que se julga capaz de fazer algo pelo nosso tráfego só piora o trânsito.

Outra obra que não vai dar em nada é a das pistas “extras” nas marginais, aliás, deveriam mudar o nome, quem sabe elas melhorem? Afinal, marginal não é nada legal. Foi assim com o cruzeiro, enquanto não mudaram para Real, a economia não melhorou. Talvez se derem um nome como pista expressa ou rodoanel urbano e terminarem de vez com o rodoanel e tirarem esses malditos caminhões, aí a gente possa andar mais sossegado nas ruas de São Paulo.

Outro fator que o CET não se importa é a fiscalização. Aqui na rua Califórnia, existem placas de “proibido estacionar” nas esquinas mas ninguém respeita e há carros parados o dia todo, dificultando a passagem. Por que esses idiotas dos “engenheiros” não fazem um MBA no Japão, Estados Unidos ou em outro país para ver como funciona um verdadeiro fluxo? Para onde vai parar o dinheiro arrecadado com a indústria de multas?

Por que nós brasileiros somos tão “idiotas”, pois não reclamamos de nada, não fazemos nada e andamos que nem “gado” pra lá e pra cá? Fui, ou melhor, será que consigo andar nessa cidade? Aho!

Em tempo: é óbvio que nenhum dos votantes do Oscar entendeu a mensagem de Avatar e preferiu votar num filme (não assisti ainda) com tema relacionado com a guerra no Iraque. É o amor sendo passado pra trás? Ou será que foi uma forma de homenagear a diretora Kathryn Bigelow na véspera do Dia Internacional da Mulher?


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