Pesquisar é preciso

Há um ano atrás uma loja (40 m²) vizinha a minha residência e ao lado da pizzaria Monte Verde foi alugada. Fiquei intrigado com o quê seria instalado ali. Depois de uma semana, podia se ler a faixa “Locação de livros”. Pensei com os meus zíperes: esse negócio não vai dar certo. Sete meses depois, a livro-locadora (LL) fechou suas portas. Não tenho nenhuma bola de cristal nem sou um mago dos negócios, mas abrir um comércio no Brooklin Novo, onde até uma franquia da livraria Nobel não suportou a pressão internetshoppingniana é talvez ser um milionário brincando de banco-imobiliário ou alguém que não tem a menor idéia do que fazer. Fico com a segunda opção nesse caso.

O que fico imaginando é por que a ex-futura-dona-da-maior-rede-de-franquias-de-livro-locadoras-do-país não fez uma simples pesquisa antes de investir no negócio. Pelo menos, acredito que não tenha feito, porque na nossa campainha ela não encostou seu dedo. Será que ela se sentiria muito humilhada? Será que ela pensou que alguém roubaria sua idéia? Outro aspecto que não entendo é como ela conseguiu chegar nos valores de locação? Os preços concorriam com os livros vendidos (aluguel de um mês) pelo sebo da Padre Antonio, alguns quarteirões lá prá baixo em direção da avenida Berrini. Uma pesquisa de seis perguntas seria suficiente. O senhor lê livros? Quantos por ano? Compra aonde? O que faz com os livros depois que os lê? Alugaria livros? Até quanto pagaria para alugar? Pronto. Com esses dados e dependendo do número de entrevistados poderia decidir pelo melhor. Abrir ou não a LL, e se abrir, gerir da melhor maneira.

Situação pior foi a de um hotel que estava prestes a ser inaugurado no interior de São Paulo. O cidadão investiria (até o final da obra) R$ 5 mi. Sem contar o necessário para a operação, marketing, etc. Qual será a diária média que o senhor prevê para os primeiros seis meses de operação, perguntei. “Olha, eu já me hospedei em todos os hotéis da vizinhança e eles cobram entre x e y. Eu vou começar com x-15%”, me respondeu com aquele olhar sou-ou-não-sou-esperto-para-k…?.

Não pesquisou, não conversou com a concorrência, não imaginou que poderia com seu empreendimento melhorar os serviços prestados pelos outros meios de hospedagem, e abrir com uma diária maior, incentivando os colegas a também aprimorarem seus serviços, e assim, todos evoluírem? A abertura de um novo negócio é a oportunidade para que exista uma real evolução ou melhoramento. Tem hoteleiro que enxerga isso. Tem dono de hotel que nem sabe calcular sua diária média. Ensinar é preciso. Querer aprender é preciso.

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(imagem: labcad.ufrj.br)

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