O hoteleiro e o construtor

Era uma vez um hotel cinco estrelas localizado no alto de uma colina metropolitana. Lá, todos os colaboradores eram muito felizes pois o hotel bonificava por pontuação, assim a rotatividade era quase nula e o serviço, ah… Impecável!  As altas diárias eram cobradas em moeda estrangeira e o resto dos hotéis daquela cidade se orgulhava em poder participar da mesma lista onde o nome do tão magnífico empreendimento se postava no topo da página, permitindo-os a trabalhar com boas e honrosas tarifas.

Pelo seu grandioso ballroom, reis, príncipes, chefes de estado, cantores, atores e outros astros internacionais desfilavam enquanto lá fora, na calçada, dezenas de paparazzis brigavam por um lugar para conseguir registrar com suas fálicas lentes momentos exclusivos dos hóspedes para que seus rostos pudessem estampar as capas das revistas de fama semanais. Todos os colunistas sociais do país imploravam para que a poderosa RP do hotel os incluísse na lista de convidados e em todas as noites, exceto nas sextas-feiras santas, doze chefs preparavam incomparáveis iguarias que deixariam Antonin Carême mais morto ainda de inveja.

Tudo naquele fabuloso hotel era perfeito! Mas, como tudo nesta vida não é eterno, um milionário construtor ibero-americano resolveu se instalar nas vizinhanças e construir um tão quase igual meio de hospedagem do outro lado da esquina. As obras começaram e os enormes caminhões não paravam de tirar terra enquanto milhares de trabalhadores serravam, soldavam e martelavam as vigas e colunas de ferro que em breve sustentariam os 40 andares do inimaginável novo meio de hospedagem.

Por trás da janela de seu escritório o proprietário do tradicional hotel em operação observava e tentava imaginar quais seriam as maneiras que o empresário-não-hoteleiro usaria para “roubar” seus clientes. Meses haviam se passado e a data de inauguração se aproximava pressionando o nobre hoteleiro, de quarta geração, a encontrar uma solução. Uma batida na porta o fez voltar ao presente. 
– Entre, está aberta. 
– Com licença Mr. John, mas o senhor Garcia deseja vê-lo. Já disse que só com hora marcada, mas ele insiste.
– O construtor? Acomode-o na sala 1, por favor. 
Os pensamentos de John se multiplicaram como centelhas: o que ele poderia querer? Filho da mãe! Nunca atendeu meus telefonemas e agora me procura faltando apenas duas semanas para inaugurar! Fez a barba rapidamente, trocou de camisa, deu um nó cruzado na gravata e desceu. 
– Boa noite senhor Garcia, como vai? Em que posso ajudá-lo?
Sem mover a cabeça, Garcia apenas levantou os olhos e disse calmamente:
– Chegou a hora de conversarmos. Por favor, sente-se.

Continua na próxima semana

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